O Banho de língua é um hábito instintivo dos gatos. Esse hábito traz vários benefícios para os bichanos como a remoção de parasitas e o controle da temperatura corporal, mas também pode trazer algumas complicações. Veja até o final! ;)



E se quiser saber ainda mais sobre o assunto, acesse esse artigo que fizemos anos atrás: http://www.tudogato.com/2010/09/higiene-dos-gatos-vulgo-banho-de-gato.html


Laurence Esgalha | Direção Tudo Gato

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A questão da CASTRAÇÃO dos gatos sempre gera alguma polêmica, mas pretendo abrir aqui um bate-papo saudável sobre a questão e quero ouvir o que VOCÊ tem para me dizer sobre o assunto.

Participe dessa discussão sobre Responsabilidade e Abandono de Animais!




Laurence Esgalha | Direção Tudo Gato


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4 de mai. de 2016

Gatos afiando as UNHAS | 2/3

Afiar as UNHAS é um comportamento Natural e Necessário! Neste 2º vídeo da série de 3 eu começo a explicar como "canalizar" esse comportamento dos Gatos de forma positiva!




Assista ao 1º vídeo caso ainda não tenha visto. As informações são importantes.
http://www.tudogato.com/2016/04/gatos-afiando-as-unhas.html


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19 de abr. de 2016

Gato Vomitando - O que fazer?

Oi pessoal! Tudo bem com vocês?

O meu nome é Ricardo Pereira e sou autor convidado no Tudo Gato. Hoje vou falar sobre “vômito de gatos”. Não é um assunto que dê muita vontade de ler pois não? Mas acredite que é importante ler desta vez.



Atenção: Lembre-se que se o seu gato começar a vomitar e, depois de ler isto, você acha que precisa de ajuda, não hesite em leva-lo ao veterinário, já que, em primeiro lugar, sempre deve vir a saúde do seu gato.

Minha História
 O meu gato uma vez começou a vomitar a ração e eu achei super estranho aquilo e fiquei preocupado, porque não sabia se era algo ruim. Então fiquei mais atento e sempre ficava de olho nele quando ele ia comer e, reparava que ele vomitava e voltava a comer. Sem entender o porquê, falei com o veterinário e ele me disse que era regurgitação e que eu poderia ficar calmo, que não tinha problema mas que nem sempre vomitar significa regurgitação e pode ser sinal de algo mais grave.

E o Seu gato? Começou a vomitar também e você não sabe porquê? Vamos lhe mostrar algumas das causas que podem ter como efeito esse mesmo problema, umas mais sérias que outras, e também iremos explicar como resolver ou o que fazer.


Regurgitação
Se o gato vomita só após a refeição deve ser apenas regurgitação. Pode parecer estranho, e nojento, para nós mas é um comportamento normal dos gatos, que acabam por voltar a engolir o que botaram pra fora.

O que fazer?
Se você o vir fazer isso, apesar de ser nojento, deve ir lá e limpar antes que ele volte a engolir, porque pode até ser algum objeto que estava no meio da comida o causador do vômito e não uma simples regurgitação.


Alergia
No caso de vomitar após a refeição, também pode ser algum tipo de alergia à ração que você está acostumado a oferecer. Se você tiver mudado a ração recentemente, é bastante provável que seja o caso. A forma de distinguir um do outro é que, se for alergia, ele vai fazer sempre após comer a nova ração.

O que fazer?
Deve mudar a sua ração para a que dava anteriormente e, se quiser mesmo mudar a ração, deve perguntar ao seu veterinário qual ração hipoalergênica ele recomenda.


Bolas de pelo
Ele vomita numa hora aleatória do dia, sem qualquer razão aparente. Uma das causas mais comuns são as bolas de pelo, que se acumulam no seu estômago e que ele esteja a tentar soltar porque lhe estão incomodando.

O que fazer?
Normalmente não precisa de fazer nada, pois o gato trata do assunto, mas, se quiser, pode comprar uma pasta comestível que ajude a lubrificar as paredes do estômago e ele possa assim eliminar a bola de pelo com mais facilidade.

Para prevenção que isto aconteça, especialmente em gatos de pelo médio/longo, deve-se  fazer uma escovação frequente para retirar os pelos mortos e, se for um gato de pelos longos, também pode ser interessante fazer a tosa do seu pelo periodicamente.


Medicamentos
Outra causa comum é ele começar a vomitar após começar a tomar algum tipo de medicamento que lhe foi receitado.

O que fazer?
Já sabe a causa mas não é por isso que deve parar a medicação. Contate o seu veterinário e peça para ele lhe aconselhar, sendo que, provavelmente, ele vai acabar por lhe passar outra medicação.


Pequenos objetos
Os gatos são muito curiosos e brincam com tudo que o que conseguem mexer e, muitos deles, podem acabar engolindo algum objeto que seja suficientemente pequeno e que você acidentalmente não tenha reparado que estava acessível para ele.

O que fazer?
Se você o vir a vomitar o objeto, não deve ter mais nenhum problema. Se não for o caso, deve ir ao veterinário que ele irá realizar o procedimento mais adequado.


Atenção: Lembre-se que se o seu gato começar a vomitar e, depois de ler isto, você acha que precisa de ajuda, não hesite em leva-lo ao veterinário, já que em primeiro lugar sempre deve estar a saúde do seu gato.

Texto escrito pelo autor convidado Ricardo Pereira







Eis aqui uma historinha linda de adoção - quando o próprio abrigo sente necessidade de transformar seu adotável em um morador vitalício. Conheça o gato Mr. Magoo, mais que especial porque além de doce, faz Arte do bem... ele pinta quadros!

Mr. Magoo

Mas, porque “Magoo”? Quem via desenhos animados antigos, se lembra deste personagem, confere? Pois bem, esse velhinho que não enxerga nada bem, acaba caindo em situações e aventuras arriscadas de perigo, porém, feliz da vida sem nem mesmo desconfiar. O senhor Quincy Magoo, aliás, tem um gato siamês gigante chamado Bowzir, que na verdade, acha ser um cão.


Mr. Magoo e seu gato Bowzir

Mr. Quincy Magoo

Calma, o gato Magoo não entra em enrascadas - é um vovô felino cego, muito bem amado que vive, como morada final, em um abrigo muito legal na Califórnia: o Centro Animal Valley. E ele participa do projeto “Paw”Casso Studio [Pata + Picasso + Estúdio] que ajuda o abrigo em vários sentidos, e orienta as pessoas a entenderem a importância da ação das ‘casas’ que recolhem animais.

O que é mais nobre desta ação “Paw”Casso é deixar o Magoo e outros animais pintarem sem esperar resultados espetaculares, mas apenas um registro bacana das patinhas, em que 1 mão ajuda a outra, ou melhor, 1 patinha ajuda outras! Veja com os olhos e com o coração.




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Olá gente, hoje vamos falar sobre uma verminose muito importante em gatos, a platinossomíase. Se o nome é feio, imagine a doença, não é nada, nada bom. Essa verminose é um pouco diferente daquelas que estamos acostumados, e que prevenimos com vermífugos. Ela é causada pelo parasita trematódeo Platynosomum concinnum e a prevenção desta verminose é muito mais complexa, pois está diretamente relacionada com o hábito de caça do gatinho.

Mas vamos falar um pouco sobre esse parasita para podermos entender a sua importância clínica e epidemiológica. Segundo o quadro abaixo, a sua distribuição geográfica é quase que total nas Américas e observe que a América do Sul está toda pintadinha.

Foto: Distribuição geográfica da planitossomíase. Extraída do livro: Feline Clinical Parasitology

Esses parasitas, quando infectam os gatos, vão se localizar na vesícula e ductos biliares, o que pode levar a um caso grave de obstrução dessas vias, com lesões no fígado, consequentemente. Em infecções iniciais, o gato pode apresentar episódios ocasionais de depressão, diarreia e falta de apetite. Ao exame físico observa-se perda de peso, icterícia (coloração amarelada) leve nas mucosas e aumento discreto do fígado. Em infecções graves e complicadas, são observadas diarreia e perda de peso marcante, com icterícia mais evidente (em mucosas e pele).

Foto: Mucosa ictérica do felino acometido com platinossomíasse. Extraído do artigo Diagnóstico de Platinossomíase em felinos atendidos no Hospital de Clínicas Veterinárias (HCV) da UFRGS. Fonte: Professora Fernanda Amorim
O diagnóstico vai combinar o histórico, sinais observados no exame físico, ultrassonografia do fígado e vesícula biliar com observação dos ductos biliares dilatados e aumento do fígado, citologia e exame histopatológico (biópsia) da bile e/ou fígado, e a observação de ovos nas fezes. Entretanto a não observação de ovos nas fezes não descarta a infecção. É muito importante o clínico informar a suspeita para o laboratório, pois há técnicas diferentes no exame de fezes que facilitam a visualização de certos ovos, e os do Platynosomum concinnum, é um caso desses.

O tratamento vai envolver uso de antiparasitários específicos. Na nossa prática clínica, nós gostamos de pesquisar relatos de casos recentes das verminoses para comparar os resultados dos protocolos utilizados, bem como a literatura específica. 

Agora, a parte mais importante eu deixei para o final, que é: como o meu gatinho vai se contaminar com esse parasita?

Para entender a forma de transmissão eu vou falar sobre o ciclo de vida dele. O gato infectado vai eliminar os ovos embrionados do parasita no ambiente. Estes são consumidos por um caramujo, que após algum tempo vai depositar no solo os esporocistos. Os esporocistos são consumidos por algum isópode terrestre, que vai posteriormente ser caça de um lagarto, lagartixa, sapo ou rã. Após algumas semanas o parasita já sofreu outra transformação no último hospedeiro, e este será então a caça do gato. 

Foto: Ciclo do Platynosomum concinnun. Extraída do artigo Uso do Endal® gatos no tratamento da platinossomíase felina.
Fonte: Mariana Sampaio Anares da Silva
Devido aos sinais tão inespecíficos de verminose, aonde o diagnóstico pode ser confundido com várias outras doenças hepatobiliares, e ao difícil diagnóstico, a melhor forma de prevenção ainda é evitar o hábito de caça do animal. 

Mesmo que se ache tão complexo esse ciclo de vida, e tantos passos que o parasita precisa passar para poder infectar um gato, é importante saber que a platinossomíase é muito mais comum e subdiganosticada do que se imagina. 

Portanto se o seu gatinho tem o hábito de caça a lagartos, lagartixa (jacarezinho para o pessoal do sul), sapo ou rã, existe a possibilidade de infecção. É importante tentar evitar que o animal tenha acesso a essas caças. Deve-se impedir que o gato saia para a caça e em ação conjunta pode-se enriquecer o ambiente deste, colocando brinquedos de caça, escondendo o alimento, etc.

É isso aí gente, fiquem atentos para qualquer mudança de comportamento do seu bichano, e procure o veterinário sempre que precisar.

Até mês que vem.

Dra. Alice Ribeiro de Oliveira Lima

Literatura consultada:
Diagnóstico de plationossomíase em felinos atendidos no Hospital de Clínicas Veterinárias (HCV) da UFRGS. SILVEIRA, E., ELESBÃO, B.S.; MARQUES, S.T.; COSTA, F.V.A. Disponível em 07/05/2015 em https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/98717/Ensino2013_Poster_33059.pdf?sequence=2
Feline Clinical Parasitology. BOWMAN, D.; HENDRIX, C.M.; LINDSAY, D.S.; BARR, S.C. 2ª Ed. Yowa State University Press, 2002, 469p. 
Uso do Endal® gatos no tratamento da platinossomíase felina. M. S. ZANUTTO, M. A. O. ALMEIDA, A. B. JUNQUILHO3, M. S. A. SILVA, R. X. SILVEIRA, P. L. FATAL. Disponível em 07/08/2015 em http://www.msd-saude-animal.com.br/binaries/a-efic-cia-do-endal-gatos_tcm81-55202.pdf. 




Bom dia gente, hoje eu estou aqui para falar um pouquinho sobre algo que é de conhecimento geral dos donos de pets e das mamães por aí, a verminose.

Chamamos assim a doença causada por parasitas, na grande maioria intestinais, e que possuem os mais diferentes ciclos de vida e meios de transmissão. Sabendo disso, o clínico veterinário deve estar atento tanto à prevenção quanto ao tratamento dessa afecção, lembrando que muitos agentes podem levar a condições sérias, como diarreia, vômito, anorexia, desidratação, anemia, perda de peso e até à morte.


Foto: imagem retirada do livro The Cat: Clinical Medicine and Management (2012)
Geralmente quando um filhote é trazido para a consulta pediátrica, e até para a primeira vacina, é perguntado se este foi vermifugado, isto é, se recebeu algum medicamento de ação vermicida (ou endoparasiticita) de forma preventiva. Mesmo que o filhote viva em um ambiente limpo, de baixo desafio (com baixa possibilidade de infecção), a infecção por vermes pode acontecer durante a gestação e a lactação, sem contar a reinfecção após o tratamento preventivo com endoparasiticida. O ideal é a realização de um exame de fezes nessa ocasião para a pesquisa de vermes intestinais, redondos e chatos, e pesquisa de protozoários. Mesmo que alguns deles só infectem filhotes a partir de certa idade (como os vermes chatos) muitas vezes os filhotes levados à clínica são adotados sem registro da data de nascimento.

Infelizmente a auto-medicação praticada pelos tutores se estende aos seus felinos e estes vão administrar o endoparasiticida que lhe convier, na dose e frequência de bula. Porém é importante ressaltar que esta prática é muito perigosa, afinal de contas para cada parasita identificado no exame de fezes (parasitológico de fezes), há um tratamento e um protocolo diferente, que vai variar de acordo com sua frequência na região e com a prática do clínico.

Geralmente o veterinário solicita que sejam coletadas três amostras de fezes dia sim dia não, ou três dias seguidos. Estas podem ser levadas frescas, no dia da coleta, para o laboratório, ou serem armazenadas no mesmo frasco contendo um conservante, como formol, e refrigeradas de 2ºC a 8°C.

O princípio de se coletar em dias diferentes se dá pelo fato de que alguns parasitas não liberarem ovos ou oocistos de forma regular, aumentando assim o valor diagnóstico desta forma. É importante o clínico saber qual a suspeita, pois existem verminoses que não liberam ovos nas fezes, e para fechar o diagnóstico é importante avaliar o vômito do gato doente, por exemplo (O. tricuspis), ou partir para outro meio diagnóstico.

Diversos clínicos têm sua predileção por esta ou aquela base farmacêutica para a prevenção ou tratamento dessas parasitoses, entretanto é comum vermos os colegas alterarem a medicação periodicamente, o que chamamos de alternância de base, pois desta forma estamos ampliando o raio de ação da conduta preventiva. 

As melhores formas de prevenir, além do uso de endoparasiticidas, são:
  • Manter o ambiente limpo, principalmente para as ninhadas;
  • Não permitir que os gatos façam passeios, podendo assim ter acesso principalmente à parques e praças;
  • Não permitir a caça ou consumo de caramujo, calango ou lagartixa, pois estes são hospedeiros (definitivo e intermediários, respectivamente) de uma verminose séria, causada pelo Platynossomum spp. A caça e consumo de pequenos roedores também podem levar à infecção por Taenia taeniformis, se estes estiverem infectados, bem como a Toxoplasmose, que pode também ser transmitida por aves e carnes cruas ou mal passadas contendo o cisto infectado.
  • Prevenir a infestação por pulgas, pois além de ser um ectoparasita que causa desconforto, coceira, feridas, etc, ele ainda pode ser hospedeiro de uma verminose importante, o Dipylidium caninum.

E a forma mais importante de prevenção ainda é o exame físico regular nas visitas ao veterinário. 

Este pode avaliar o peso, cuidados com a higiene pessoal do gato e aspecto geral, dentre outros aspectos que vão alertar para uma possível infecção por parasitas. Vale lembrar que algumas delas são zoonoses, isto quer dizer, podem ser transmitidas para os humanos, portanto vamos nos cuidar.

É isso aí, em outras postagens falarei sobre as verminoses mais importantes, vamos cuidar dos nossos bichanos para estarem sempre saudáveis, vítimas de muitos beijos e apertos.

Foto: Giane Portal / Fofuras Felinas

Até a próxima.

Dra. Alice Ribeiro de Oliveira Lima





Em março foi comemorado o Mês da Mulher e, pra fechá-lo com chave de ouro, nós não podemos deixar também de homenagear aquela que encanta e traz doçura ao mundo dos felinos domésticos, a GATA. Portanto, na coluna Dia de Veterinária de hoje, será abordado um pouco sobre o comportamento feminino dos felinos.

Foto: Giane Portal / Fofuras Felinas

Comportamento Sexual Feminino:

Ah, o cio da gata. Já atendi muitas gatas no cio “a beira da morte”. Não vou mentir que foram as consultas mais fáceis que eu fiz. Daquelas que o tutor chega apavorado, com a gata enrolada em um pano, dizendo:

- Doutora, pelo amor de Deus, salva a Mimi, ela está tendo um ataque de dor, e é nas costas. Ela está andando atrás de mim, grita, se contorce toda, se joga no chão, e levanta o rabo, gritando o tempo todo, começou do nada, eu não sei o que fazer.


Então, vamos lá:

Como muitas outras espécies domésticas, o comportamento da gata no cio se distingue do seu comportamento normal, incluindo uma atividade alterada e nervosismo. Ela muda completamente, na sua urina ela também passa a eliminar ferormônios, isto somado aos gritos (vocalização), atrai os gatos machos inteiros das redondezas. Sentindo a presença do macho (ou não) ela então passa a elevar os membros posteriores, deslocar a cauda para o lado, como se estivesse na posição para receber o macho.


DICAS:


  • Castre sua gatinha antes dos 6 meses, a castração feita até 2,5 anos reduz para quase  ZERO as chances do desenvolvimento de tumor de mama, caso ela seja pré-disposta. Tumores de mama em gatas são 80% malignos, em cadelas são 50%.



  • A gata ovula após a cópula, portanto se ela entrou no cio e você quer que ela saia para acabar com esse comportamento e então ela seja logo depois castrada, basta simular uma cópula, umedeça um cotonete e introduza levemente na vulva da gata, gire em sentido horário e anti-horário, como se ela estivesse sendo penetrada pelo macho por cerca de um minuto, com cuidado, isso deve bastar. Logo depois ela irá lamber a vulva, o que ativa o sistema neuroendócrino e a ovulação.



Comportamento Maternal:

A habilidade materna é aquele comportamento executado pela mãe desde antes do parto até o desmame. As gatas domésticas geralmente cuidam dos seus filhotes sem qualquer ajuda dos humanos, algumas só revelam os rebentos após três a quatro semanas de idade, entretanto é mais comum que elas deixem que a família acompanhe o parto e a criação de perto.

Quando o parto está se aproximando a gata vai procurar um local escuro e protegido para ter os bebês, se for apegada à família é possível que seja no armário ou na cama do dono. Esta também vai passar mais tempo deitada, lambendo a genitália e mamas, podendo ficar mais irritada. Uma vez escolhido o lugar, é importante que a família mantenha este limpo, com pedaços de pano ou papel.

Durante o parto normal a gata tem a contração. O filhote começa a nascer, então a mãe vai puxando com os dentes as membranas fetais. Depois que o feto nasce, a placenta será expelida. A mãe vai cortar o cordão umbilical com os dentes, lamber o filhote vigorosamente para limpá-lo e estimular os movimentos respiratórios, comer a placenta e limpar a área do líquido amniótico para aguardar a próxima contração.

A gata fica junto da sua ninhada nos primeiros dias após o parto e vai ficando menos à medida que o tempo passa. Quando a ninhada é grande, ela fica cerca de 70% do tempo. A mãe tende a lamber bastante o filhote nas primeiras 2 a 4 semanas de vida, principalmente na região anogenital, pois nessa fase de vida o filhote só defeca e urina com o estímulo de lambedura da mãe. A gata carrega os gatinhos pela nuca quando quer mudar de lugar ou quando resgata os perdidos. Geralmente não os perde de vista, porém quando isso acontece, ela os recupera quando estes começam a miar. A gata se vê forçada a mudar de lugar quando o local que está se torna muito estressante (como com a presença de outros gatos, muitos humanos, barulho, cães) e, quando ela muda várias vezes de local, a pele no pescoço dos gatinhos pode ficar machucada, desenvolver infecções, e até levar ao canibalismo por parte da mãe.


É muito comum as gatas aceitarem filhotes de outras ninhadas entre os seus, mesmo que sejam de idades diferentes. Os filhotes geralmente começam a mamar 1 a 2 horas após o nascimento, são atraídos para as mamas pelo calor da mãe e não têm dificuldade em encontrá-las. Nessa fase, a mãe lambe a própria mama e os filhotes também são atraídos pela saliva da mãe. A segunda fase da amamentação se dá quando eles abrem os olhos, que é quando eles passam a enxergar. A terceira fase, lá pela quinta semana, a mãe está menos disponível para a ninhada e passa a desmamá-los.

Ninguém nunca ensinou essas gatinhas o que fazer, quando fazer e não sai dali nenhum gato ‘mimado’ por elas, daquele que a gente fala “a culpa é da mãe”... Vamos aprender com as gatas e confiar mais nos nossos instintos, fica esse conselho da natureza para todas as mulheres. Porque nós, mulheres, somos incríveis.


Que todas as Mulheres tenham um ano todo repleto de realizações!

Fonte das fotos: Arquivo pessoal Dra Alice Ribeiro de Oliveira Lima

Literatura consultada: Pedersen, N. C. Feline Husbandry. 1991



9 de fev. de 2015

CATNIP | Dia de Veterinária



Os efeitos da Erva do Gato: Catnip, Catnip, Catnip


Foto extraída do livro: O Paciente Felino – 4ª Edição e
gentilmente cedida por Marco Nicovich, Mississippi
State Office of Agricultural Communicatios
O que é isso que deixa nossos bichanos tão vidrados e apaixonados chamado ERVA DO GATO?

A Erva do Gato, ou Catnip, como é conhecida internacionalmente, é uma planta que possui propriedades que levam o gato a ter comportamentos relacionados com prazer e bem estar.  Esta também apresenta estes efeitos em grandes felinos, sendo amplamente utilizada como enriquecimento ambiental em zoológicos.

A erva do gato (Nepeta cataria) é nativa da África e do Mediterrâneo, porém, é encontrada no mundo inteiro.  Os compostos ativos da erva não são tóxicos para os gatos, são encontrados nas folhas e caules e são óleos essenciais e outros constituintes ativos (nepetalactone e ácido nepetálico).

AGORA PASMEM: Os efeitos da catnip nos nossos bichanos não são muito claros, entretanto, pessoas que fumaram a erva... RAM RAM, isso mesmo, principalmente na década de 60, como coadjuvante de outra erva também muito conhecida pelos seus efeitos alucinógenos, relataram que a catnip as deixaram felizes, contentes e intoxicadas. Portanto especula-se que os efeitos nos gatos sejam alucinógenos visuais e auditórios.

A erva do gato é vendida desidratada ou fresca, porém a concentração de nepetalactone na forma desidratada é muito maior. Alguns proprietários plantam a erva em casa, utilizam a forma desidratada em brinquedos, arranhadores, para enriquecimento ambiental ou os próprios brinquedos já são vendidos com a erva dentro deles.

A reação à erva é muito individual, depende de genética e idade. Alguns gatos que não herdaram o gene simplesmente não reagem à ela em nenhuma fase da vida. Gatos com menos de dois meses não costumam reagir também, e geralmente eles reagem de alguma forma a partir dos seis meses, quando estão entrando na puberdade.

Quando o gato entra em contato com a planta fresca, geralmente começa cheirando a folha e esfregando a face. Quando entra em contato com a erva desidratada ele pode se esfregar nela, vocalizar, salivar, balançar a cabeça, pular e até demonstrar comportamento de cio. Essa excitação geralmente dura alguns minutos. A erva do gato não deve ser oferecida mais de duas vezes na semana.

Na minha prática, eu recomendo o uso da erva do gato em alguns casos de adaptação com novos móveis, principalmente grandes arranhadores ou caminhas, para enriquecimento ambiental, sendo usada com a frequência de até duas vezes na semana, e sob a supervisão do tutor. Alguns animais podem ter uma reação de excitação extrema e o seu uso ser mais prejudicial do que benéfico.

Bom, espero que esse breve relato tenha elucidado algumas dúvidas, e vale lembrar que o veterinário sempre deve ser consultado em caso de qualquer problema comportamental que não esteja sendo responsivo ao enriquecimento ambiental, à mudança de manejo ou uso de catnip.

Até breve gente!


Alice Ribeiro
diarioveterinaria.blogspot.com
twitter: @alicevet

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Consulta: O Paciente Felino – 4ª Edição 




Mães e pais dos felinos mais amados do mundo, hoje o papo é sério. BOLAS DE PELO. Eu não estou falando daquela bola de pelo que você cria na sua casa, que mia desesperadamente a cada momento que você passa perto da geladeira ou corre para todos os cantos durante a madrugada, mas daquela que se forma do trato gastrointestinal do gato devido à grande quantidade de pelos deglutidos.

Então, vamos começar! Em primeiro lugar, apesar de o gato emitir sons semelhantes à tosse, e de fato às vezes tossir mesmo, antes de eliminar a bola de pelo, esta não fica nos pulmões ou traqueia, e sim no trato gastrointestinal do animal.

E quais são as causas da formação de bola de pelo?

Bom, basicamente, a bola de pelo se forma porque os pelos são deglutidos e não são digeridos, devendo ser eliminados regularmente nas fezes. Porém vários fatores podem levar à formação da bola de pelo e geralmente estão ligados ao aumento da prática de lambedura da pelagem do felino, aumento da quantidade de pelos deglutidos, alterações na estrutura ou mobilidade gastrointestinal. Algumas causas são:
  • ESTRESSE:

Quando o gato está em um ambiente de estresse ele pode adoecer e deixar de se lamber, isso acontece comumente e é uma queixa trazida ao veterinário, a falta de cuidado próprio, entretanto se o estresse ambiental levar à ansiedade, o animal vai aumentar a frequência e intensidade da lambedura do pelame.

  • DOENÇA DE PELE E PELO:

A presença de lesões de pele e/ou parasitas que causem prurido (coceira) tais como pulgas e ácaros, vai levar ao aumento do comportamento de lambedura.

  • USO DE PERFUMES:

Alguns animais não toleram o uso de perfumes, e aumentam a lambedura depois que recebem esse cheiro. O mesmo vale quando o proprietário abraça e felino usando um perfume muito forte. Não podemos nos esquecer de que os gatos transferem odores para os seres humanos no objetivo de reconhecê-los como amigos, portanto o olfato é muito importante no comportamento felino, que usa 30% do cérebro nesse sentido (nós usamos 3%, faz as contas). O ideal é não usar nada ou, se usar, que seja próprio para a espécie.

  • PELAME EMBARAÇADO:

Os gatos de pelo longo perdem pelo tal como os de pelo curto. A diferença é que nos animais de pelo curto o pelo cresce e cai, aparecendo mais na varredura do chão da casa no dia a dia, enquanto que os de pelo longo, o pelo cresce, cresce, cresce, mas também cai. Aqueles animais com pelo longo e embaraçado não vão perder esse pelo, ficando preso nos nós, fazendo com que durante a lambedura o animal acabe deglutindo mais pelo do que deglutiria se este pelo tivesse caído.

  • ALTERAÇÕES GASTROINTESTINAIS DE ESTRUTURA OU MOTILIDADE:

Essas alterações devem ser diagnosticadas pelo veterinário e incluem: desordens de motilidade primárias, doenças inflamatórias ou neoplásicas do trato gastrointestinal, divertículo ou hérnia de hiato.

Muitos guardiões só sabem que o gato está com bola de pelo depois que as encontram pela casa, ou veem o gato vomitando. O animal vomita um bolo de pelo, geralmente em formato cilíndrico, e a frequência vai depender da gravidade do caso.

Como a formação de bola de pelo pode causar vários transtornos gastrointestinais, os sintomas vão variar. Esses transtornos são:

ESOFAGITE
GASTRITE
OBSTRUÇÃO GASTROINTESTINAL POR CORPO ESTRANHO
CONSTIPAÇÃO

O animal pode apresentar:

- Dificuldade em defecar, com presença de pelos nas fezes.
- Pelame seco ou embaraçado.
- Tosse seca e frequente, principalmente depois das refeições.
- Perda de interesse em se alimentar.
- Letargia.
- Consumo de grama e plantas.
- Vômitos profusos de início súbito (obstrução por corpo estranho).

Fonte: O Paciente Felino -  4ª Edição
O tratamento vai depender da causa e das consequências da bola de pelo, podendo ser a simples troca de alimentação como a realização de cirurgia emergencial.

A melhor forma de prevenir a formação de bola de pelo no gato saudável ainda é a escovação. O pelo do gato deve ser escovado diariamente. A maior reclamação que eu ouço é que o gato não gosta de ser escovado, mas a maioria dos gatos que não gostam de ser escovados também está com muitos nós nos pelos. Eu sempre recomendo a tosa, seguida do início da escovação. A escovação deve ser feita no momento de interação entre o guardião e o gato, este deve procurar no mercado o tipo de escova mais eficiente, que retire os pelos e não estresse o gato. Esse momento deve ser prazeroso e pode ser seguido de reforço positivo, como o oferecimento de petiscos ou alimento saboroso.

Outra forma de prevenção é o uso de rações de categoria super premium. Essas rações possuem na sua formulação a adição de fibras que facilitam o trânsito gastrointestinal e, desta forma, também evitam a formação da bola de pelo. 

As causas de aumento da lambedura devem ser tratadas, como a presença de parasitas, situações de estresse, etc. Entretanto, animais saudáveis, com comportamento normal de lambedura, podem apresentar regurgitação ou vômito da bola de pelo como um fenômeno natural ou como indicador de um problema gastrointestinal, portanto, em TODAS as situações de bola de pelo, o veterinário deve ser consultado para que possa identificar estas causas.
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Portanto, gente, a bola de pelo não é só nojenta, mas preocupante a muitos níveis, devendo ser prevenida e tratada, visando sempre à qualidade de vida dos nossos bichanos.

Já que estamos retomando as nossas publicações sobre os cuidados com os felinos, vamos voltar com tudo! Preparem-se para a cobertura da 13ª Edição da Pet South America, que acontecerá de 28 a 30 de Outubro na cidade de São Paulo, confira no site: http://www.petsa.com.br/
See ya!!



Fonte consultada:
NORSWORTHY, G. D.; GRACE, S.; CRYSTAL, M. A. The Feline Patient, 4ª ed., Wiley-Blackwell, 2011, 1052 p.
http://cats.about.com/cs/catmanagement101/a/hairballs.htm






foto: giane portal / fofurasfelinas
Nas clínicas veterinárias de todo o Brasil nós nos deparamos com uma situação muito comum, o abandono de animais. Este abandono se dá por vários motivos, tais como: mudança de casa, problemas comportamentais, doenças de fundo alérgico e principalmente, a gestação de alguém na família. Infelizmente o abandono (que inclui doação do animal) pelo motivo da gestação acaba sendo diversas vezes indicado pelos próprios médicos. Tanto ao médico quanto ao veterinário cabe apenas o esclarecimento quanto às doenças transmissíveis, aos riscos da gestante e aos problemas comportamentais possíveis oriundos da chegada de outro membro da família.

Então vamos começar com o maior medo das gestantes donas dos gatos: Meu gato vai me transmitir toxoplasmose ou não?

Primeiro é necessário conhecer a Toxoplasmose:

A toxoplasmose é uma doença parasitária com alta prevalência que acomete animais de sangue quente e é causada pelo protozoário Toxoplasma gondii. Os felinos são hospedeiros definitivos, isto é, neles o parasita completa o seu ciclo e é liberado no ambiente por meio de oocistos resistentes nas fezes. Esses oocistos precisam estar em contato com o oxigênio para poderem se tornar infectantes, o que só acontece de um a cinco dias em que eles estão no ambiente. Durante a fase aguda da doença, formas deste parasita chamadas de taquizoítas estão em replicação no sangue e linfa, causando os sintoma. Quando a imunidade do hospedeiro atenua a replicação taquizoíta, esses parasitas podem então tomar a forma bradizoíta,  que possui replicação lenta, e se instalam em tecidos extra-intestinais (sistema nervoso central, músculos e órgãos viscerais), podendo persistir por toda a vida do hospedeiro.

foto: giane portal / fofurasfelinas

Modo de transmissão:

A infecção pode ser dar a partir da ingestão de qualquer uma das formas do parasita e por via transplacentária. Como os gatos habitualmente não têm o comportamento coprofágico (alimentar-se de fezes) estes geralmente se infectam com a ingestão de uma presa infectada (ou a carne crua ou mal passada infectada).

 Acredita-se que 30 a 40 % de gatos e pessoas nos Estados Unidos estão possuem anticorpos contra a toxoplasmose, isto é, em algum momento em suas vidas eles entraram em contato com a doença e possivelmente estão infectados.  Já no Brasil essa prevalência pode passar de 70%.

Aspectos de zoonose:

A toxoplasmose é uma zoonose importante tanto pela alta prevalência quanto pelas conseqüências. Os acometimentos mais sérios ocorrem em pessoas com baixa imunidade, por exemplo: as portadoras de HIV, as que passam por quimioterapia, as transplantadas, as crianças e os idosos. Quando ocorre a infecção em mulheres gestantes, o feto pode apresentar a doença com manifestações neurológicas, oculares, e até virem a nascer mortos. As pessoas imunocompetentes não gestantes geralmente são assintomáticas. Aproximadamente 10-20% acometidas das pessoas podem apresentar linfadenopatia (inflamação dos linfonodos), febre, dor de garganta, dores musculares, mal estar. Os sintomas geralmente se resolvem sem tratamento. Aqueles mais severos como inflamações nos músculos, pneumonia, sinais neurológicos são possíveis, porém raros. A toxoplasmose ocular com uveíte, geralmente unilateral, pode ser vista em adolescentes. Essa síndrome está freqüentemente associada a uma infecção assintomática congênita (durante a gestação) ou como resultado de uma infecção ocorrida logo após o nascimento.

foto: giane portal / fofurasfelinas
As pessoas adquirem a toxoplasmose pela ingestão de oocistos infectantes (aqueles que já estão no ambiente mais de 24 horas), por via transplacentária (quando a mãe tem uma infecção aguda durante a gestação) e ingerindo cistos em tecidos.

Para prevenir essa infecção a pessoa deve:

- Evitar o consumo de carne mal passada ou crua, esta deve se cozida a uma temperatura de 63 a 71°C. Os utensílios da cozinha devem ser lavados com água quente e sabão após o trato de carnes cruas.

- Lavar bem as verduras e frutas antes de comer. Os gatos têm o hábito de enterrar suas fezes e o cisto pode viver muito tempo no ambiente. Se há gatos vivendo na área da horta, essa contaminação pode acontecer.

- As fezes dos gatos devem ser manuseadas com muito cuidado, lembrando de utilizar o material necessário para se evitar a contaminação como pá e luvas. As mãos devem ser lavadas sempre que a caixa de areia for limpa ou que se fizer qualquer serviço de jardinagem. Como os oocistos levam ao menos 24 horas para se tornarem infectantes, as caixas de areia devem ser limpas diariamente.

 - Uma das formas de prevenção mais importantes é a alimentação de gatos apenas com comidas comerciais e para aos adeptos à alimentação natural, com carnes preparadas na temperatura de 63 a 71°C.

Seguem algumas verdades do papel do gato na toxoplasmose:


foto: giane portal / fofurasfelinas
Os gatos de apartamento e aqueles que não saem de casa não são as maiores preocupações dos controles de zoonoses. Aqueles gatos que caçam na rua e gatos de fazenda são os responsáveis pela contaminação e manutenção dos parasitas no ambiente, com conseqüente infecção de pequenos roedores (gatos de ruas) e de carne de consumo humano (nas fazendas).

Gatos geralmente eliminam o oocisto por dias a algumas semanas após a infecção primária, e não por toda a vida. O fato de ser hospedeiro definitivo não implica na contaminação constante do ambiente, mas sim que ele é o único a fazer essa contaminação quando estiver na fase aguda da doença, quando se reinfestar ou quando, devido à baixa de imunidade, ocorrer a ativação das formas “dormentes”.

Gatos são muito asseados e geralmente não permitem que fiquem fezes no seu pelo (um estudo demonstrou que nenhum oocisto foi isolado do pelo de gatos que há sete dias eliminavam milhões de oocistos pelas fezes).

Portanto, amigos gateiros, para não contrair a doença a pessoa deve entender sobre ela e perceber que os riscos vão muito além do simples convívio com o hospedeiro definitivo.

Alice Ribeiro
diarioveterinaria.blogspot.com
www.formspring.me/alicevet
twitter: @alicevet


Literatura Consultada:
Toxoplasmosis – information sheet of The Center of Food Security and Public Health – Iowa State University
Lappin, M.. Feline Toxoplasmosis  - Latin America Veterinary Conference, 2012




Cuidados com um Gato Cego


Eis um tema que pode ser de grande ajuda para muitas pessoas que têm como companhia um gatinho deficiente visual (com cegueira parcial ou total). Trata-se de uma condição bastante específica, pois deve ser analisada levando em conta a deficiência e as características comportamentais dos felinos de estimação.

Gata cega 'Tininha' | Foto: Arquivo pessoal de Fernanda S. Bortolon

Um gato pode ficar cego por acidente, velhice, alguma doença ou, ainda, ter nascido com esta condição. No que diz respeito à adaptação, se o bichano for cego desde o nascimento ou se a cegueira (total ou parcial) tiver evoluído ao longo do tempo, a tendência é que o próprio gato se adapte muito bem a esta condição, sem muita interferência do dono (que, por vezes, nem percebe que o pet está com dificuldades visuais).

De qualquer forma, cabe aos humanos, no momento em que tomam ciência da condição apresentada pelo seu gato, tomar algumas providências que o auxiliarão peludo, garantindo seu bem estar.

É muito importante manter o ambiente todo bastante familiar para o gato. Por natureza, eles são animais que somente se sentem seguros quando “dominam” o local onde moram. Isto significa que gostam de estar familiarizados e adaptados com objetos, pessoas, cheiros. Assim, pensando no gato com deficiência visual, é muito importante evitar mudar móveis da casa de lugar (se for necessário, ajudar o gato a perceber esta mudança, levando-o até o local/móvel para que possa identificá-lo).

Gata cega 'Tininha' | Foto: Arquivo pessoal de Fernanda S. Bortolon

Com relação aos objetos, considerando que o olfato dos felinos é bastante desenvolvido, certamente este sentido se tornará ainda mais aguçado com a deficiência visual, por uma questão de adaptação. Assim, caso sejam introduzidos novos objetos na casa, ou se qualquer deles for lavado (por exemplo: almofadas, colchas, etc.), deve-se, de alguma forma, tornar estes objetos novamente familiares para o gato. Uma boa alternativa é esfregar as mãos: o felino logo identificará o cheiro familiar do dono nestes locais, o que o deixará mais tranquilo.

 A caminha do felino deve sempre ser mantida no mesmo local, de fácil e conhecido acesso, assim como potes de água e comida e caixas de areia. Lembrando, mais uma vez, que se for necessário mudar estes itens de lugar ou quando forem lavados, deve-se dar ao gato a oportunidade de identificar os objetos pelo cheiro e guiá-lo algumas vezes até lá. Depois, observar se ele consegue se deslocar sozinho até estes locais.

Os bigodes do gato jamais devem ser cortados ou aparados, pois funcionam como órgãos táteis, que permitem a eles identificar objetos antes de se chocarem. É por isso que gatos conseguem se locomover com a mesma agilidade no escuro: caso haja algum obstáculo, os bigodes funcionam como antenas e “tocam” o objeto antes, evitando, assim, choques. Para gatos deficientes visuais, os bigodes funcionam como uma importante forma de adaptação durante o dia e a noite, e não somente no escuro, como nos gatos com visão normal.

Gata cega 'Tininha' | Foto: Arquivo pessoal de Fernanda S. Bortolon

Finalmente, não se deve esquecer que mesmo o gato com deficiência visual mantém seu instinto de explorar e escalar bastante aguçado. Assim, considerando que ele pode se sentir inseguro para saltar de maiores alturas por não enxergar, é importante providenciar rampas para ele tenha sempre a alternativa de subir em vários locais, inclusive quando quiser se proteger. Estas rampas devem ser feitas com material não escorregadio, para garantir a segurança do bichano.

Com estas providências simples, é possível garantir ao gato com algum grau de deficiência visual uma vida ativa e tranquila, perfeitamente adaptada a sua condição!

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Cassia Rabelo Cardoso dos Santos
Colabora com textos para diversas publicações como o Guia Universo Pet, a Revista Pulo do Gato e a Revista Expressão. É adestradora da Cão Cidadão, franquia criada pelo especialista em comportamento animal Alexandre Rossi, que há mais de 10 anos atua no mercado oferecendo serviços de adestramento e consultas de comportamento em domicílio para gatos, cães e outros pets.
www.caocidadao.com.br




A CAPTURA, ESTERILIZAÇÃO e DEVOLUÇÃO é uma tecnica já consolidada em vários países desenvolvidos e está se tornando realidade em algumas cidades brasileiras. O principal objetivo é o controle populacional de gatos ferais nas ruas, diminuindo assim os indices de doenças e sofrimento a quais estes animais estão sujeitos e poupando centenas de filhotes de nascerem sem destino certo, além de aumentar a qualidade de vida dos felinos beneficiados com a castração.



O projeto Felinos Urbanos de São Luís, no Maranhão, desde setembro de 2011, se dedica integralmente à atividades de C.E.D  tendo, no momento, esterilizado 142 gatos ferais e 54 gatinhos e 2 cães em ações de castração abertas ao público. O projeto se sustenta com os recursos de sua idealizadora e doações monetárias, já que São Luís é uma das únicas capitais do Brasil que não oferecem castração a baixo custo ou de fácil acesso à seus moradores e apresenta índices assustadores de 30 animais recolhidos e sacrificados em seu CCZ semanalmente.

Mesmo que o foco principal do C.E.D sejam os gatos ferais, que nunca tiveram contato com humanos e nem podem ser reabilitados para uma vida domestica, pela irresponsabilidade de várias pessoas não é raro que os praticantes do C.E.D se deparem com gatinhos mansos que foram abandonados à própria sorte. E foi em uma noite comum de captura que a realidade da gatinha #58 mudou completamente, pelas mãos da Flávia Maia.

“Assim que chegamos no local onde tentaríamos a captura, enquanto montávamos a gatoeira, essa mocinha apareceu bem do meu lado. Chegou sem pudor nenhum, miando fraquinho. Ela sequer veio pela isca (que àquela altura ainda nem havíamos tirado do carro). Veio apenas para pedir carinho e ajuda, para tirá-la daquela situação, como se não aguentasse mais ficar ali.

Passei a mão na cabeça dessa gatinha tão meiga e tão debilitada e, com cuidado, foi encaminhada para a gatoeira. Ela se tornava, assim, a #58. Naquela mesma noite ela passou por uma avaliação veterinária e foi castrada.

Àquela altura, não queria devolvê-la às ruas, de onde ela tinha pedido para ser tirada, por isso resolvi que traria ela para minha casa. A desculpa para convencer minha mãe a permitir isso foi que a gatinha ficaria por apenas uma semana, o tempo de tirar os pontos da cirurgia, que propositalmente não foi feita com fios absorvíveis.

Com o passar dos dias, minha mãe foi sendo conquistada por ela e veio me contar toda feliz uma manhã que a gatinha tinha ido dormir bem ao lado dela na cama e ficou lá toda aninhada. Na semana de retirar os pontos, ela já possui um nome, era a minha Pepita.

Na época em que foi tirada das ruas, devia ter entre 6 ou 7 meses e, aparentemente, já havia sido mãe. Por isso estava tão desnutrida, com falhas no pêlo e os dentes permanentes ainda nem haviam crescido direito. Além disso, havia indícios de que ela apanhava dos outros gatos que moravam na área dela.



Aqui em casa ela pôde finalmente descansar. Na primeira noite ela comeu muito, com medo de passar fome novamente e acabou vomitando, porque o estômago não estava acostumado a receber alimento.

Desde o primeiro dia aqui em casa a Pepita se sentiu tranquila. Pedia sempre muito carinho e não podia me ver sentada ou deitada que já chegava e se aninhava do ladinho.

Hoje ela está totalmente recuperada da desnutrição. Apesar de ser uma gata "esguia", quando deita de barriga para cima dá para ver uma gordurinha cultivada com alimentação de qualidade.Falando em deitar, uma coisa muito característica da Pepita é dormir de barriga para cima e com as patas da frente jogadas por cima da cabeça. Uma fofa!

Tenho certeza que ela não sente falta da rua, onde experimentou tanto sofrimento. Acho que exatamente por saber o que tem lá fora é que ela não tem curiosidade de ir explorar além da porta do meu apartamento. Aqui dentro ela se sente verdadeiramente segura, e encontra tudo o que precisa para se divertir, se alimentar e ser amada."



Se quiserem saber mais sobre o C.E.D, o Projeto Felinos Urbanos e outros finais felizes proporcionados pelo projeto, acessem:
Facebook – Felinos Urbanos
Blog – http://felinosurbanos.blogspot.com.br/



Otávia Mello
amoremiados.blogspot.com.br
twitter: @felinosurbanos




Corpo estranho linear


Todas as vezes que passamos 3 minutos com filhotes de gatos, nos pegamos brincando com os dedos, fios, novelos, e tudo mais que pode ser uma “presa” em potencial para o pequeno felino. Os filhotes de gatos são simplesmente fissurados em fios, eles se preparam, esperam seu alvo parar de se mover e atacam.

foto: giane portal / fofurasfelinas

Acontece que filhote de gato, como filhote de qualquer outra espécie, coloca tudo na boca e, acidentalmente, pode ingerir os brinquedos. Os brinquedos que os gatos ingerem com maior frequência são os lineares (linhas, fios, fio dental, agulhas), o que se dá o nome de CORPO ESTRANHO LINEAR. Os gatos raramente ingerem outros corpos estranhos pela seletividade dos alimentos inerente à espécie.

Apesar do exemplo citado ser em filhotes, essa patologia pode ocorrer em gatos de qualquer idade e não há predisposição racial ou de sexo, isso quer dizer, seja raça pura ou mestiça, macho ou fêmea, nenhum gato resiste a um fio se mexendo.

Quando o gato acaba engolindo o fio, este pode se fixar no caminho e causar uma obstrução no trato gastrintestinal (TGI). O corpo estranho pode estar obstruindo desde a cavidade oral até a porção final do intestino. Os sintomas mais comuns são falta de apetite, dificuldade de deglutição, vômito, regurgitação, inquietação e apatia.

foto: giane portal / fofurasfelinas
Na consulta é importante dar todas as informações importantes como o histórico alimentar, de vermifugação, de outras doenças, dos hábitos de brincadeira e dos materiais disponíveis pela casa que o animal teria acesso, a evolução da doença atual, quando começou, como começou, quais eram os sintomas, etc. O veterinário vai examinar o animal minuciosamente, avaliando a cavidade oral (um local muito comum de fixação do corpo estranho), fará a palpação e, muitas vezes, terá que lançar mão de exames de imagem, que incluem ultrassonografia, radiografia simples e/ou contrastada e endoscopia.

Corpos estranhos lineares em gatos são considerados emergências gastrintestinais, pois além da obstrução também haverá inflamação local, supercrescimento bacteriano na porção anterior à obstrução e há a possibilidade de perfuração do TGI com inflamação da cavidade abdominal.

Quando o corpo estranho ficou preso na base da língua, o clínico pode optar por cortar e fazer o acompanhamento clínico e de exames de imagem da saída deste corpo estranho, entretanto essa conduta é perigosa. Não se deve tentar puxar a extremidade livre na boca ou no ânus para não lesionar o TGI.

A intervenção cirúrgica se faz necessária em 90% dos casos, sendo realizada no esôfago, estômago ou intestino, a depender da localização do corpo estranho. A depender da gravidade das lesões pode ser necessária a realização de mais de uma cirurgia.  Os cuidados pós-operatórios vão envolver uso de antibiótico, dieta especial, suplementação, repouso e muitos agradecimentos a São Francisco de Assis pela recuperação do gatinho (ou outro santo que o seu gato seja devoto).

Portanto gente, não adianta, os gatos sempre serão como são, cabe a nós levarmos ao veterinário ao primeiro sinal de doença, contar toda a história necessária e optar por comprar brinquedos próprios para gatos, e seguros.

Até mais pessoal!


Alice Ribeiro
diarioveterinaria.blogspot.com
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26 de jul. de 2012

Saculite | Dia de Veterinária


foto: giane portal / fofurasfelinas
Existem muitas coisas que os gatos odeiam e uma das principais é ficar doentes. Nas consultas eles são manipulados, apertados, puxados, furados e, ainda por cima, às vezes saem humilhados parecendo um abajur pelo uso do colar elisabetano. Foi me lembrando da cara de mau humor de uma das minhas pacientes, a Priska, que eu escolhi o tema para esse artigo de hoje, e ele se chama: Impactação e Abscedação do saco anal.


A Priska já não gostava das visitas à clínica, mas eram toleráveis. Sua súdita (como costumo chamar os proprietários de gatos) é bastante dedicada e qualquer mudança de comportamento ela levava a gatinha para nossa atenção.


A Priska estava agindo estranho, se lambendo muito na região da base da cauda, tanto que a pelagem nessa área já estava mais rarefeita. Durante o exame físico eu percebi que ela também protegia a cauda, se virando todas as vezes e me encarando de frente. Juro que se eu pudesse ler os pensamentos da Priska, nessas horas, eu estaria vendo algo do tipo: "Não sei o que deu na cabeça da minha súdita em me trazer aqui, mas isso não significa que você tem permissão para me apertar e ainda por cima avançar o sinal".


Eu tive que pedir ajuda para examinar e, ao chegar à região perianal (ao redor do ânus), percebi um aumento de volume. Durante a palpação, a pobrezinha soltou o maior grito já registrado na história do atendimento felino. Ela estava com uma saculite.


Ao redor do ânus os felinos possuem duas estruturas chamadas de sacos anais, não visualizadas na pele, mas elas abrigam glândulas sebáceas e apócrinas. Quando o animal defeca, devido à compressão mecânica, essas glândulas secretam substâncias que vão auxiliar na lubrificação. Os felinos também secretam por essas glândulas de forma voluntária para marcar território e quando se sentem ameaçados. São os tão conhecidos “rabujo”.



A secreção dessas substâncias pode estar reduzida levando à impactação do conteúdo (figura 1), gerando dor e tenesmo (dificuldade para defecar). Além disso, pode ocorrer a infecção com formação de abscesso no saco anal, levando ao acúmulo de secreção purulenta (figura 2), intumescimento da região e muita dor.

Figura 1: Esvaziamento do saco anal com presença de material espesso – impactação
Figura 2: Drenagem de abscesso de saco anal.

Geralmente o gato começa a se esconder, proteger, lamber e morder a região da cauda e perianal. O tratamento para impactação envolve sedação e esvaziamento do saco anal com muito cuidado. O tratamento para abscesso envolve sedação, drenagem, limpeza, irrigação da ferida e antibiótico. Ah sim, claro, uso do colar elisabetano.



Ao contrário do que as pessoas acreditam, os sacos anais não devem ser esvaziados no banho e essa prática pode levar à injúria e infecção do local.



E foi assim, um dos atendimentos na Priska, seu abscesso foi drenado e ela foi para casa aborrecida, mas com menos dor com certeza. Hoje a Priska já não está mais entre nós, mas eu prefiro acreditar que lá no fundo, um dia, em algum momento, ela me perdoou e até gostou um pouquinho de mim.


Alice Ribeiro
diarioveterinaria.blogspot.com
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Imagens - Fonte: NORSWORTHY et al, 2011 (The Feline Patient)



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