Há muito misticismo envolvendo os gatos. Fala-se que eles têm sete vidas, vêem os espíritos, ou absorvem a energia ruim da casa, mas nada é mais assustador do que uma consulta de um gato para aquele veterinário que atende/estuda/cria/respira/vive cães.
Há muito pouco tempo atrás o gato doméstico mal era considerado um animal de estimação. No mundo dominado por cães o gato era apenas um intruso, alimentado às vezes e levado ao veterinário nunca.
Em pouco tempo as casas diminuíram, as famílias diminuíram, o tempo diminuiu e o gato foi ganhando o seu espaço na residência das pessoas. Aumentando a criação de gatos houve também a necessidade de se criar comida para gatos. Junto à comida pensa-se em todos os apetrechos que vão enriquecer o ambiente dos felinos e suprir as necessidades daqueles que vivem em grandes e pequenos ambientes. Assim criou-se um cantinho especial no pet shop da esquina com artigos só para os gatos como brinquedos, arranhadores, caminhas, rações, ervas, gramas, entre outras coisas.
Quando antes atendia-se um ou dois gatos no mês e perdia-se as vacinas felinas vencendo nas geladeiras das clínica veterinárias, o número de atendimentos aos felinos dobrou, triplicou e, em muitos consultórios, superou o número de consultas em cães. E isso não aconteceu simplesmente porque pessoas passaram a criar mais gatos, na verdade a população felina não aumentou subtancialmente, mas sim os cuidados com ela.
Os gatos começaram a ser vistos com outros olhos por muitas pessoas e alguns conceitos caíram por terra. Falava-se que o gato não gostava do dono, só da casa. Que o gato era muito independente, não se envolvia, não era fiel como o cão. Fica complicado comparar pois são suas espécies diferentes, com comportamentos únicos e particulares mas se consideramos o grupo animal de estimação, essa comparação é inevitável.
Então o clínico veterinário que estava acostumado a tratar cães passou a ver que o seu ganha-pão também dependia de tratar gatos. Começou-se então a adaptar terapias, manejos e protocolos. Houve muito que estudar, afinal eram doenças particulares, medicamentos proibidos ou permitidos. A forma de manejo, higiene, contenção, administração de remédios, absolutamente tudo diferia dos cães. Muitos veterinários se adpataram a essa realidade, outros literalmente se converteram mas uma pequena parte, porém considerável, de clínicos de pequenos animais ainda trata o gato como o “pequeno cão”.
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| Eu a Dra Margie Scherk |
Confesso que, como clínica, eu aprendi a gostar de tratar gatos depois que passei a criá-los. Hoje eu os coleciono, tal como coleciono tatuagens deles. Ao vê-las, os clientes me perguntam: - Você gosta mais de gatos do que de cachorros?
Eu respondo:
- Para tratar e criar eu gosto dos dois, mas para tatuagem? O gato se sai muito melhor.
Até mais!
Alice Albuquerque
diarioveterinaria.blogspot.com
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