O Banho de língua é um hábito instintivo dos gatos. Esse hábito traz vários benefícios para os bichanos como a remoção de parasitas e o controle da temperatura corporal, mas também pode trazer algumas complicações. Veja até o final! ;)



E se quiser saber ainda mais sobre o assunto, acesse esse artigo que fizemos anos atrás: http://www.tudogato.com/2010/09/higiene-dos-gatos-vulgo-banho-de-gato.html


Laurence Esgalha | Direção Tudo Gato

https://www.youtube.com/tudogatotv
https://facebook.com/tudogato



A questão da CASTRAÇÃO dos gatos sempre gera alguma polêmica, mas pretendo abrir aqui um bate-papo saudável sobre a questão e quero ouvir o que VOCÊ tem para me dizer sobre o assunto.

Participe dessa discussão sobre Responsabilidade e Abandono de Animais!




Laurence Esgalha | Direção Tudo Gato


https://www.youtube.com/tudogatotv
https://facebook.com/tudogato



4 de mai. de 2016

Gatos afiando as UNHAS | 2/3

Afiar as UNHAS é um comportamento Natural e Necessário! Neste 2º vídeo da série de 3 eu começo a explicar como "canalizar" esse comportamento dos Gatos de forma positiva!




Assista ao 1º vídeo caso ainda não tenha visto. As informações são importantes.
http://www.tudogato.com/2016/04/gatos-afiando-as-unhas.html


Laurence Esgalha | Direção Tudo Gato

➡ https://facebook.com/tudogato
➡ https://www.youtube.com/tudogatotv
➡ https://tudogato.com



26 de abr. de 2016

Gatos afiando as UNHAS!

Um comportamento que, muitas vezes, deixa os donos MALUCOS por destruir móveis e até por acabar machucando alguém.

Assista a esse primeiro vídeo, de uma Série de 3, sobre Gatos Afiando as Garras!



Laurence Esgalha | Direção Tudo Gato

➡ https://facebook.com/tudogato
➡ https://www.youtube.com/tudogatotv
➡ https://tudogato.com




Olá gente, hoje vamos falar sobre uma verminose muito importante em gatos, a platinossomíase. Se o nome é feio, imagine a doença, não é nada, nada bom. Essa verminose é um pouco diferente daquelas que estamos acostumados, e que prevenimos com vermífugos. Ela é causada pelo parasita trematódeo Platynosomum concinnum e a prevenção desta verminose é muito mais complexa, pois está diretamente relacionada com o hábito de caça do gatinho.

Mas vamos falar um pouco sobre esse parasita para podermos entender a sua importância clínica e epidemiológica. Segundo o quadro abaixo, a sua distribuição geográfica é quase que total nas Américas e observe que a América do Sul está toda pintadinha.

Foto: Distribuição geográfica da planitossomíase. Extraída do livro: Feline Clinical Parasitology

Esses parasitas, quando infectam os gatos, vão se localizar na vesícula e ductos biliares, o que pode levar a um caso grave de obstrução dessas vias, com lesões no fígado, consequentemente. Em infecções iniciais, o gato pode apresentar episódios ocasionais de depressão, diarreia e falta de apetite. Ao exame físico observa-se perda de peso, icterícia (coloração amarelada) leve nas mucosas e aumento discreto do fígado. Em infecções graves e complicadas, são observadas diarreia e perda de peso marcante, com icterícia mais evidente (em mucosas e pele).

Foto: Mucosa ictérica do felino acometido com platinossomíasse. Extraído do artigo Diagnóstico de Platinossomíase em felinos atendidos no Hospital de Clínicas Veterinárias (HCV) da UFRGS. Fonte: Professora Fernanda Amorim
O diagnóstico vai combinar o histórico, sinais observados no exame físico, ultrassonografia do fígado e vesícula biliar com observação dos ductos biliares dilatados e aumento do fígado, citologia e exame histopatológico (biópsia) da bile e/ou fígado, e a observação de ovos nas fezes. Entretanto a não observação de ovos nas fezes não descarta a infecção. É muito importante o clínico informar a suspeita para o laboratório, pois há técnicas diferentes no exame de fezes que facilitam a visualização de certos ovos, e os do Platynosomum concinnum, é um caso desses.

O tratamento vai envolver uso de antiparasitários específicos. Na nossa prática clínica, nós gostamos de pesquisar relatos de casos recentes das verminoses para comparar os resultados dos protocolos utilizados, bem como a literatura específica. 

Agora, a parte mais importante eu deixei para o final, que é: como o meu gatinho vai se contaminar com esse parasita?

Para entender a forma de transmissão eu vou falar sobre o ciclo de vida dele. O gato infectado vai eliminar os ovos embrionados do parasita no ambiente. Estes são consumidos por um caramujo, que após algum tempo vai depositar no solo os esporocistos. Os esporocistos são consumidos por algum isópode terrestre, que vai posteriormente ser caça de um lagarto, lagartixa, sapo ou rã. Após algumas semanas o parasita já sofreu outra transformação no último hospedeiro, e este será então a caça do gato. 

Foto: Ciclo do Platynosomum concinnun. Extraída do artigo Uso do Endal® gatos no tratamento da platinossomíase felina.
Fonte: Mariana Sampaio Anares da Silva
Devido aos sinais tão inespecíficos de verminose, aonde o diagnóstico pode ser confundido com várias outras doenças hepatobiliares, e ao difícil diagnóstico, a melhor forma de prevenção ainda é evitar o hábito de caça do animal. 

Mesmo que se ache tão complexo esse ciclo de vida, e tantos passos que o parasita precisa passar para poder infectar um gato, é importante saber que a platinossomíase é muito mais comum e subdiganosticada do que se imagina. 

Portanto se o seu gatinho tem o hábito de caça a lagartos, lagartixa (jacarezinho para o pessoal do sul), sapo ou rã, existe a possibilidade de infecção. É importante tentar evitar que o animal tenha acesso a essas caças. Deve-se impedir que o gato saia para a caça e em ação conjunta pode-se enriquecer o ambiente deste, colocando brinquedos de caça, escondendo o alimento, etc.

É isso aí gente, fiquem atentos para qualquer mudança de comportamento do seu bichano, e procure o veterinário sempre que precisar.

Até mês que vem.

Dra. Alice Ribeiro de Oliveira Lima

Literatura consultada:
Diagnóstico de plationossomíase em felinos atendidos no Hospital de Clínicas Veterinárias (HCV) da UFRGS. SILVEIRA, E., ELESBÃO, B.S.; MARQUES, S.T.; COSTA, F.V.A. Disponível em 07/05/2015 em https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/98717/Ensino2013_Poster_33059.pdf?sequence=2
Feline Clinical Parasitology. BOWMAN, D.; HENDRIX, C.M.; LINDSAY, D.S.; BARR, S.C. 2ª Ed. Yowa State University Press, 2002, 469p. 
Uso do Endal® gatos no tratamento da platinossomíase felina. M. S. ZANUTTO, M. A. O. ALMEIDA, A. B. JUNQUILHO3, M. S. A. SILVA, R. X. SILVEIRA, P. L. FATAL. Disponível em 07/08/2015 em http://www.msd-saude-animal.com.br/binaries/a-efic-cia-do-endal-gatos_tcm81-55202.pdf. 




Bom dia gente, hoje eu estou aqui para falar um pouquinho sobre algo que é de conhecimento geral dos donos de pets e das mamães por aí, a verminose.

Chamamos assim a doença causada por parasitas, na grande maioria intestinais, e que possuem os mais diferentes ciclos de vida e meios de transmissão. Sabendo disso, o clínico veterinário deve estar atento tanto à prevenção quanto ao tratamento dessa afecção, lembrando que muitos agentes podem levar a condições sérias, como diarreia, vômito, anorexia, desidratação, anemia, perda de peso e até à morte.


Foto: imagem retirada do livro The Cat: Clinical Medicine and Management (2012)
Geralmente quando um filhote é trazido para a consulta pediátrica, e até para a primeira vacina, é perguntado se este foi vermifugado, isto é, se recebeu algum medicamento de ação vermicida (ou endoparasiticita) de forma preventiva. Mesmo que o filhote viva em um ambiente limpo, de baixo desafio (com baixa possibilidade de infecção), a infecção por vermes pode acontecer durante a gestação e a lactação, sem contar a reinfecção após o tratamento preventivo com endoparasiticida. O ideal é a realização de um exame de fezes nessa ocasião para a pesquisa de vermes intestinais, redondos e chatos, e pesquisa de protozoários. Mesmo que alguns deles só infectem filhotes a partir de certa idade (como os vermes chatos) muitas vezes os filhotes levados à clínica são adotados sem registro da data de nascimento.

Infelizmente a auto-medicação praticada pelos tutores se estende aos seus felinos e estes vão administrar o endoparasiticida que lhe convier, na dose e frequência de bula. Porém é importante ressaltar que esta prática é muito perigosa, afinal de contas para cada parasita identificado no exame de fezes (parasitológico de fezes), há um tratamento e um protocolo diferente, que vai variar de acordo com sua frequência na região e com a prática do clínico.

Geralmente o veterinário solicita que sejam coletadas três amostras de fezes dia sim dia não, ou três dias seguidos. Estas podem ser levadas frescas, no dia da coleta, para o laboratório, ou serem armazenadas no mesmo frasco contendo um conservante, como formol, e refrigeradas de 2ºC a 8°C.

O princípio de se coletar em dias diferentes se dá pelo fato de que alguns parasitas não liberarem ovos ou oocistos de forma regular, aumentando assim o valor diagnóstico desta forma. É importante o clínico saber qual a suspeita, pois existem verminoses que não liberam ovos nas fezes, e para fechar o diagnóstico é importante avaliar o vômito do gato doente, por exemplo (O. tricuspis), ou partir para outro meio diagnóstico.

Diversos clínicos têm sua predileção por esta ou aquela base farmacêutica para a prevenção ou tratamento dessas parasitoses, entretanto é comum vermos os colegas alterarem a medicação periodicamente, o que chamamos de alternância de base, pois desta forma estamos ampliando o raio de ação da conduta preventiva. 

As melhores formas de prevenir, além do uso de endoparasiticidas, são:
  • Manter o ambiente limpo, principalmente para as ninhadas;
  • Não permitir que os gatos façam passeios, podendo assim ter acesso principalmente à parques e praças;
  • Não permitir a caça ou consumo de caramujo, calango ou lagartixa, pois estes são hospedeiros (definitivo e intermediários, respectivamente) de uma verminose séria, causada pelo Platynossomum spp. A caça e consumo de pequenos roedores também podem levar à infecção por Taenia taeniformis, se estes estiverem infectados, bem como a Toxoplasmose, que pode também ser transmitida por aves e carnes cruas ou mal passadas contendo o cisto infectado.
  • Prevenir a infestação por pulgas, pois além de ser um ectoparasita que causa desconforto, coceira, feridas, etc, ele ainda pode ser hospedeiro de uma verminose importante, o Dipylidium caninum.

E a forma mais importante de prevenção ainda é o exame físico regular nas visitas ao veterinário. 

Este pode avaliar o peso, cuidados com a higiene pessoal do gato e aspecto geral, dentre outros aspectos que vão alertar para uma possível infecção por parasitas. Vale lembrar que algumas delas são zoonoses, isto quer dizer, podem ser transmitidas para os humanos, portanto vamos nos cuidar.

É isso aí, em outras postagens falarei sobre as verminoses mais importantes, vamos cuidar dos nossos bichanos para estarem sempre saudáveis, vítimas de muitos beijos e apertos.

Foto: Giane Portal / Fofuras Felinas

Até a próxima.

Dra. Alice Ribeiro de Oliveira Lima





Em março foi comemorado o Mês da Mulher e, pra fechá-lo com chave de ouro, nós não podemos deixar também de homenagear aquela que encanta e traz doçura ao mundo dos felinos domésticos, a GATA. Portanto, na coluna Dia de Veterinária de hoje, será abordado um pouco sobre o comportamento feminino dos felinos.

Foto: Giane Portal / Fofuras Felinas

Comportamento Sexual Feminino:

Ah, o cio da gata. Já atendi muitas gatas no cio “a beira da morte”. Não vou mentir que foram as consultas mais fáceis que eu fiz. Daquelas que o tutor chega apavorado, com a gata enrolada em um pano, dizendo:

- Doutora, pelo amor de Deus, salva a Mimi, ela está tendo um ataque de dor, e é nas costas. Ela está andando atrás de mim, grita, se contorce toda, se joga no chão, e levanta o rabo, gritando o tempo todo, começou do nada, eu não sei o que fazer.


Então, vamos lá:

Como muitas outras espécies domésticas, o comportamento da gata no cio se distingue do seu comportamento normal, incluindo uma atividade alterada e nervosismo. Ela muda completamente, na sua urina ela também passa a eliminar ferormônios, isto somado aos gritos (vocalização), atrai os gatos machos inteiros das redondezas. Sentindo a presença do macho (ou não) ela então passa a elevar os membros posteriores, deslocar a cauda para o lado, como se estivesse na posição para receber o macho.


DICAS:


  • Castre sua gatinha antes dos 6 meses, a castração feita até 2,5 anos reduz para quase  ZERO as chances do desenvolvimento de tumor de mama, caso ela seja pré-disposta. Tumores de mama em gatas são 80% malignos, em cadelas são 50%.



  • A gata ovula após a cópula, portanto se ela entrou no cio e você quer que ela saia para acabar com esse comportamento e então ela seja logo depois castrada, basta simular uma cópula, umedeça um cotonete e introduza levemente na vulva da gata, gire em sentido horário e anti-horário, como se ela estivesse sendo penetrada pelo macho por cerca de um minuto, com cuidado, isso deve bastar. Logo depois ela irá lamber a vulva, o que ativa o sistema neuroendócrino e a ovulação.



Comportamento Maternal:

A habilidade materna é aquele comportamento executado pela mãe desde antes do parto até o desmame. As gatas domésticas geralmente cuidam dos seus filhotes sem qualquer ajuda dos humanos, algumas só revelam os rebentos após três a quatro semanas de idade, entretanto é mais comum que elas deixem que a família acompanhe o parto e a criação de perto.

Quando o parto está se aproximando a gata vai procurar um local escuro e protegido para ter os bebês, se for apegada à família é possível que seja no armário ou na cama do dono. Esta também vai passar mais tempo deitada, lambendo a genitália e mamas, podendo ficar mais irritada. Uma vez escolhido o lugar, é importante que a família mantenha este limpo, com pedaços de pano ou papel.

Durante o parto normal a gata tem a contração. O filhote começa a nascer, então a mãe vai puxando com os dentes as membranas fetais. Depois que o feto nasce, a placenta será expelida. A mãe vai cortar o cordão umbilical com os dentes, lamber o filhote vigorosamente para limpá-lo e estimular os movimentos respiratórios, comer a placenta e limpar a área do líquido amniótico para aguardar a próxima contração.

A gata fica junto da sua ninhada nos primeiros dias após o parto e vai ficando menos à medida que o tempo passa. Quando a ninhada é grande, ela fica cerca de 70% do tempo. A mãe tende a lamber bastante o filhote nas primeiras 2 a 4 semanas de vida, principalmente na região anogenital, pois nessa fase de vida o filhote só defeca e urina com o estímulo de lambedura da mãe. A gata carrega os gatinhos pela nuca quando quer mudar de lugar ou quando resgata os perdidos. Geralmente não os perde de vista, porém quando isso acontece, ela os recupera quando estes começam a miar. A gata se vê forçada a mudar de lugar quando o local que está se torna muito estressante (como com a presença de outros gatos, muitos humanos, barulho, cães) e, quando ela muda várias vezes de local, a pele no pescoço dos gatinhos pode ficar machucada, desenvolver infecções, e até levar ao canibalismo por parte da mãe.


É muito comum as gatas aceitarem filhotes de outras ninhadas entre os seus, mesmo que sejam de idades diferentes. Os filhotes geralmente começam a mamar 1 a 2 horas após o nascimento, são atraídos para as mamas pelo calor da mãe e não têm dificuldade em encontrá-las. Nessa fase, a mãe lambe a própria mama e os filhotes também são atraídos pela saliva da mãe. A segunda fase da amamentação se dá quando eles abrem os olhos, que é quando eles passam a enxergar. A terceira fase, lá pela quinta semana, a mãe está menos disponível para a ninhada e passa a desmamá-los.

Ninguém nunca ensinou essas gatinhas o que fazer, quando fazer e não sai dali nenhum gato ‘mimado’ por elas, daquele que a gente fala “a culpa é da mãe”... Vamos aprender com as gatas e confiar mais nos nossos instintos, fica esse conselho da natureza para todas as mulheres. Porque nós, mulheres, somos incríveis.


Que todas as Mulheres tenham um ano todo repleto de realizações!

Fonte das fotos: Arquivo pessoal Dra Alice Ribeiro de Oliveira Lima

Literatura consultada: Pedersen, N. C. Feline Husbandry. 1991





foto: giane portal / fofurasfelinas
Nas clínicas veterinárias de todo o Brasil nós nos deparamos com uma situação muito comum, o abandono de animais. Este abandono se dá por vários motivos, tais como: mudança de casa, problemas comportamentais, doenças de fundo alérgico e principalmente, a gestação de alguém na família. Infelizmente o abandono (que inclui doação do animal) pelo motivo da gestação acaba sendo diversas vezes indicado pelos próprios médicos. Tanto ao médico quanto ao veterinário cabe apenas o esclarecimento quanto às doenças transmissíveis, aos riscos da gestante e aos problemas comportamentais possíveis oriundos da chegada de outro membro da família.

Então vamos começar com o maior medo das gestantes donas dos gatos: Meu gato vai me transmitir toxoplasmose ou não?

Primeiro é necessário conhecer a Toxoplasmose:

A toxoplasmose é uma doença parasitária com alta prevalência que acomete animais de sangue quente e é causada pelo protozoário Toxoplasma gondii. Os felinos são hospedeiros definitivos, isto é, neles o parasita completa o seu ciclo e é liberado no ambiente por meio de oocistos resistentes nas fezes. Esses oocistos precisam estar em contato com o oxigênio para poderem se tornar infectantes, o que só acontece de um a cinco dias em que eles estão no ambiente. Durante a fase aguda da doença, formas deste parasita chamadas de taquizoítas estão em replicação no sangue e linfa, causando os sintoma. Quando a imunidade do hospedeiro atenua a replicação taquizoíta, esses parasitas podem então tomar a forma bradizoíta,  que possui replicação lenta, e se instalam em tecidos extra-intestinais (sistema nervoso central, músculos e órgãos viscerais), podendo persistir por toda a vida do hospedeiro.

foto: giane portal / fofurasfelinas

Modo de transmissão:

A infecção pode ser dar a partir da ingestão de qualquer uma das formas do parasita e por via transplacentária. Como os gatos habitualmente não têm o comportamento coprofágico (alimentar-se de fezes) estes geralmente se infectam com a ingestão de uma presa infectada (ou a carne crua ou mal passada infectada).

 Acredita-se que 30 a 40 % de gatos e pessoas nos Estados Unidos estão possuem anticorpos contra a toxoplasmose, isto é, em algum momento em suas vidas eles entraram em contato com a doença e possivelmente estão infectados.  Já no Brasil essa prevalência pode passar de 70%.

Aspectos de zoonose:

A toxoplasmose é uma zoonose importante tanto pela alta prevalência quanto pelas conseqüências. Os acometimentos mais sérios ocorrem em pessoas com baixa imunidade, por exemplo: as portadoras de HIV, as que passam por quimioterapia, as transplantadas, as crianças e os idosos. Quando ocorre a infecção em mulheres gestantes, o feto pode apresentar a doença com manifestações neurológicas, oculares, e até virem a nascer mortos. As pessoas imunocompetentes não gestantes geralmente são assintomáticas. Aproximadamente 10-20% acometidas das pessoas podem apresentar linfadenopatia (inflamação dos linfonodos), febre, dor de garganta, dores musculares, mal estar. Os sintomas geralmente se resolvem sem tratamento. Aqueles mais severos como inflamações nos músculos, pneumonia, sinais neurológicos são possíveis, porém raros. A toxoplasmose ocular com uveíte, geralmente unilateral, pode ser vista em adolescentes. Essa síndrome está freqüentemente associada a uma infecção assintomática congênita (durante a gestação) ou como resultado de uma infecção ocorrida logo após o nascimento.

foto: giane portal / fofurasfelinas
As pessoas adquirem a toxoplasmose pela ingestão de oocistos infectantes (aqueles que já estão no ambiente mais de 24 horas), por via transplacentária (quando a mãe tem uma infecção aguda durante a gestação) e ingerindo cistos em tecidos.

Para prevenir essa infecção a pessoa deve:

- Evitar o consumo de carne mal passada ou crua, esta deve se cozida a uma temperatura de 63 a 71°C. Os utensílios da cozinha devem ser lavados com água quente e sabão após o trato de carnes cruas.

- Lavar bem as verduras e frutas antes de comer. Os gatos têm o hábito de enterrar suas fezes e o cisto pode viver muito tempo no ambiente. Se há gatos vivendo na área da horta, essa contaminação pode acontecer.

- As fezes dos gatos devem ser manuseadas com muito cuidado, lembrando de utilizar o material necessário para se evitar a contaminação como pá e luvas. As mãos devem ser lavadas sempre que a caixa de areia for limpa ou que se fizer qualquer serviço de jardinagem. Como os oocistos levam ao menos 24 horas para se tornarem infectantes, as caixas de areia devem ser limpas diariamente.

 - Uma das formas de prevenção mais importantes é a alimentação de gatos apenas com comidas comerciais e para aos adeptos à alimentação natural, com carnes preparadas na temperatura de 63 a 71°C.

Seguem algumas verdades do papel do gato na toxoplasmose:


foto: giane portal / fofurasfelinas
Os gatos de apartamento e aqueles que não saem de casa não são as maiores preocupações dos controles de zoonoses. Aqueles gatos que caçam na rua e gatos de fazenda são os responsáveis pela contaminação e manutenção dos parasitas no ambiente, com conseqüente infecção de pequenos roedores (gatos de ruas) e de carne de consumo humano (nas fazendas).

Gatos geralmente eliminam o oocisto por dias a algumas semanas após a infecção primária, e não por toda a vida. O fato de ser hospedeiro definitivo não implica na contaminação constante do ambiente, mas sim que ele é o único a fazer essa contaminação quando estiver na fase aguda da doença, quando se reinfestar ou quando, devido à baixa de imunidade, ocorrer a ativação das formas “dormentes”.

Gatos são muito asseados e geralmente não permitem que fiquem fezes no seu pelo (um estudo demonstrou que nenhum oocisto foi isolado do pelo de gatos que há sete dias eliminavam milhões de oocistos pelas fezes).

Portanto, amigos gateiros, para não contrair a doença a pessoa deve entender sobre ela e perceber que os riscos vão muito além do simples convívio com o hospedeiro definitivo.

Alice Ribeiro
diarioveterinaria.blogspot.com
www.formspring.me/alicevet
twitter: @alicevet


Literatura Consultada:
Toxoplasmosis – information sheet of The Center of Food Security and Public Health – Iowa State University
Lappin, M.. Feline Toxoplasmosis  - Latin America Veterinary Conference, 2012




Corpo estranho linear


Todas as vezes que passamos 3 minutos com filhotes de gatos, nos pegamos brincando com os dedos, fios, novelos, e tudo mais que pode ser uma “presa” em potencial para o pequeno felino. Os filhotes de gatos são simplesmente fissurados em fios, eles se preparam, esperam seu alvo parar de se mover e atacam.

foto: giane portal / fofurasfelinas

Acontece que filhote de gato, como filhote de qualquer outra espécie, coloca tudo na boca e, acidentalmente, pode ingerir os brinquedos. Os brinquedos que os gatos ingerem com maior frequência são os lineares (linhas, fios, fio dental, agulhas), o que se dá o nome de CORPO ESTRANHO LINEAR. Os gatos raramente ingerem outros corpos estranhos pela seletividade dos alimentos inerente à espécie.

Apesar do exemplo citado ser em filhotes, essa patologia pode ocorrer em gatos de qualquer idade e não há predisposição racial ou de sexo, isso quer dizer, seja raça pura ou mestiça, macho ou fêmea, nenhum gato resiste a um fio se mexendo.

Quando o gato acaba engolindo o fio, este pode se fixar no caminho e causar uma obstrução no trato gastrintestinal (TGI). O corpo estranho pode estar obstruindo desde a cavidade oral até a porção final do intestino. Os sintomas mais comuns são falta de apetite, dificuldade de deglutição, vômito, regurgitação, inquietação e apatia.

foto: giane portal / fofurasfelinas
Na consulta é importante dar todas as informações importantes como o histórico alimentar, de vermifugação, de outras doenças, dos hábitos de brincadeira e dos materiais disponíveis pela casa que o animal teria acesso, a evolução da doença atual, quando começou, como começou, quais eram os sintomas, etc. O veterinário vai examinar o animal minuciosamente, avaliando a cavidade oral (um local muito comum de fixação do corpo estranho), fará a palpação e, muitas vezes, terá que lançar mão de exames de imagem, que incluem ultrassonografia, radiografia simples e/ou contrastada e endoscopia.

Corpos estranhos lineares em gatos são considerados emergências gastrintestinais, pois além da obstrução também haverá inflamação local, supercrescimento bacteriano na porção anterior à obstrução e há a possibilidade de perfuração do TGI com inflamação da cavidade abdominal.

Quando o corpo estranho ficou preso na base da língua, o clínico pode optar por cortar e fazer o acompanhamento clínico e de exames de imagem da saída deste corpo estranho, entretanto essa conduta é perigosa. Não se deve tentar puxar a extremidade livre na boca ou no ânus para não lesionar o TGI.

A intervenção cirúrgica se faz necessária em 90% dos casos, sendo realizada no esôfago, estômago ou intestino, a depender da localização do corpo estranho. A depender da gravidade das lesões pode ser necessária a realização de mais de uma cirurgia.  Os cuidados pós-operatórios vão envolver uso de antibiótico, dieta especial, suplementação, repouso e muitos agradecimentos a São Francisco de Assis pela recuperação do gatinho (ou outro santo que o seu gato seja devoto).

Portanto gente, não adianta, os gatos sempre serão como são, cabe a nós levarmos ao veterinário ao primeiro sinal de doença, contar toda a história necessária e optar por comprar brinquedos próprios para gatos, e seguros.

Até mais pessoal!


Alice Ribeiro
diarioveterinaria.blogspot.com
www.formspring.me/alicevet
twitter: @alicevet




Prevenir é melhor do que remediar.


A obesidade é uma doença que tem um tratamento difícil. Um animal curado da obesidade (isso inclui os humanos) é aquele que alcança o seu peso ideal e permanece nele por, no mínimo, dois anos. Muitas vezes achamos que emagrecer é estar curado.


A prevenção também é complicada porque o que engorda é comer e todos temos que comer. Não é como prevenir um câncer de pulmão não fumando ou prevenir uma cirrose não bebendo. Por maiores que sejam as tentações para um fumante ou para um alcoólatra, em alguns lugares, estes podem se esconder e não consumir o que lhes faz mal. Entretanto, quando saímos para comer, na maioria dos lugares, temos uma opção pouco calórica e várias opções de dar água na boca.


Quando se trata da prevenção da nossa obesidade, evitando comidas calóricas, bebidas, deixando de sair com os amigos, nós sabemos o quanto é difícil. Prevenir a obesidade em gatos parece ser mais fácil, afinal eles comem o que damos.


Infelizmente nós temos a tendência de comparar a alimentação do gato com a nossa. O clínico de gatos acaba passando por muitas situações:

- Doutora, eu gosto de sempre variar os sabores e as marcas porque meu gato acaba enjoando de tudo. Na verdade ele não enjoa assim, de parar de comer, mas vai acabar enjoando.


- Doutora, ele come a quantidade recomendada por dia, mas o leitinho e o peixinho, com muito azeite é claro, não podem faltar.


- Ele brinca sim, e é tão engraçado que quando eu chego do lado dele para fazer carinho ele sempre vai para a vasilhinha comer. Veja como ele é carinhoso doutora, eu amo dar carinho a ele.


- Doutora, a senhora não tem noção do que é meu gato com fome, ele grita. A melhor coisa que eu acho é colocar a ração em um comedor automático e ele sempre terá comida.


- Essa raça é redonda mesmo, não é gordura.


Então como prevenir a obesidade?

A prevenção deve começar desde pequenininho. A cada consulta o veterinário deve estimar o escore corporal do gato e recomendar a alimentação mais saudável, que deve incluir informações sobre as categorias das rações e o manejo alimentar. Outro ponto importante é o enriquecimento ambiental para estimular os exercícios do animal. Ele deve estar sempre curioso, brincando, e gastando suas calorias.


Em gatos de 6 a 10 anos de idade, qualquer ganho de peso deve ser considerado importante. O veterinário vai ter no seu prontuário todas essas informações que vão complementar a prevenção. Um ganho de 100 gramas para um rottweiler entre uma consulta e outra não significa nada, mas o mesmo ganho em gatos, deve ser interpretado como um alerta, principalmente nessa idade.


A castração ainda é o maior fator predisponente da obesidade. É recomendado que o animal seja reavaliado duas a três vezes nos primeiros seis a doze meses após a castração. O ganho de peso, a quantidade de alimento consumida ao dia, e o comportamento do gato vai ser questionado para com isso serem elaboradas as mudanças na alimentação e no manejo.


É comum o ganho rápido e intenso de peso depois da castração em felinos. Segundo Harper (2001) o ganho de peso após a castração pode variar entre de 7,5 a 31% e vai depender, dentre outras coisas, do manejo alimentar.



Nesse sentido, após a castração é importante lembrar-se de:

- Manter regularidade nas avaliações do peso, ganho de peso e escore corporal

- Manter sessões de exercício e brincadeiras com os gatos

- Evitar petiscos extras

- Manter uma alimentação saudável

- Oferecer a quantidade de alimento recomendada pelo veterinário, sem deixar à vontade.



A relação entre o veterinário e o proprietário deve ser de confiança e clareza. De nada adianta falar sobre a obesidade e suas conseqüências se o proprietário não estiver convencido que o seu animal é obeso. As imagens que avaliam o escore corporal (http://www.tudogato.com/2011/08/o-meu-gato-e-gordo-dia-de-veterinaria.html) são sempre apresentadas ao dono, pois se este não entender que existe o problema e a sua gravidade, manter um gato gordinho, dorminhoco e fofinho em casa gera mais satisfação e menos trabalho.


Então, compartilhe a sua experiência:

O que você anda fazendo para prevenir a obesidade no seu gato?

Que tipo de enriquecimento ambiental você oferece para o seu gato e o quanto ele usa isso?


Vamos continuar a falar sobre a obesidade no próximo artigo. Abordaremos as principais doenças que possuem a obesidade como fator predisponente mais importante.

Até breve pessoal!

Alice Ribeiro
diarioveterinaria.blogspot.com
twitter: @alicevet


Bibliografia consultada:
Harper EF, Stack DM, Watson TDG, et al. Effects of feeding regimens on body weight, composition and condition score in cats following ovariohysterectomy. J Small Anim Pract 2001; 42: 433-438.




A obesidade vem sendo uma doença cada vez mais disseminada entre os felinos e não adianta a gente querer tapar um gato obeso com a peneira. Tem que previnir e, não adiantou? Tem que tratar. Mas, como saber se o meu gato está obeso?

A melhor forma de avaliar se um gato é obeso não é pelo peso. O peso vai ser importante depois, na hora do tratamento, para o monitoramento eficiente.

Na avaliação visual, você não deve ver as costelas e coluna vertebral do seu gato, mas quando abraçá-lo deve senti-las. Caso não sinta, o seu gato está em sobrepeso.

Na avaliação visual, o gato pode estar CAQUÉTICO, MAGRO, PESO IDEAL, em SOBREPESO e OBESO.




Caquético: no animal caquético é possível visualizar as proeminências das costelas, vértebras e ossos pélvicos à distância. Massa muscular e gordura vertebral não são possíveis de discernir. Sabe aquele gatinho que a visita a gente quando a estamos em um restaurante na beira da praia ou no calçadão, todo magrinho, e vem pedir comida? Esse é o gatinho caquético.
Magro: o gato magro apresenta as costelas facilmente palpáveis que podem ou não estar visíveis. O topo das vértebras lombares estão visíveis e os ossos pélvicos menos proeminentes. Animal também apresenta cintura (quando olhamos por cima) e curvatura abdominal (quando olhamos de lado).

Peso ideal ou moderado: costelas palpáveis sem excesso de gordura e animal apresenta cintura e pouca curvatura abdominal.


Sobrepeso: animal de aparência robusta, com costelas palpáveis com dificuldade. Observado depósito de gordura nas vértebras lombares e base da calda. Não visualizamos cintura e leve curvatura abdominal.

Obeso: o gato obeso tem depósitos de gordura em grande quantidade no peito, espinha e base da cauda. Não é visualizada cintura ou curvatura abdominal. Depósitos de gordura também no pescoço e membros. Abdômen distendido.

Além do Sistema de Avaliação Corporal visual, existe o Índice de Massa Corporal. Para calcular esse índice você vai precisar de duas pedidas: a medida do comprimento da perna traseira do gato, do joelho até o calcanhar (cm) e a medida da circunferência da caixa torácica na altura do nono par de costelas (cm).

Essas medidas vão para a tabela:


O resultado dessa fórmula será a porcentagem da gordura corporal. Ainda é possível usar um gráfico para saber se o animal está em sobrepeso (over weight), peso normal (normal weight) ou abaixo do peso (under weight). As medidas usadas são também são a circunferência da caixa torácica (rib cage circumference) e o comprimento da perna traseira, do joelho ao calcanhar (LIM).

Os donos preocupados devem tomar as medidas e fazer suas avaliações em casa. Qualquer suspeita de que o gato esteja em sobrepeso ou obeso deve ser encarada com seriedade. O tratamento vai envolver a troca de rações, do manejo alimentar e exercícios. Mas desse assunto, falaremos em uma próxima vez.

Eu até entendo que você passe quilômetros de uma balança e evite fazer o “peso/ altura2”, mas não deixe de ficar de olho no seu gatinho. Afinal de contas por mais que a genética e a castração influenciem, o seu manejo tem participação importante nessa obesidade.

Convido a todos os leitores que participem, nos comentários, com o resultado do Índice de Gordura Corporal do seu gato e dizer se ele está na faixa azul clara, laranja ou azul escura. Pode hospedar uma foto em algum site e colocar o link para apreciarmos também.

Até mais, pessoal.

Alice Ribeiro
diarioveterinaria.blogspot.com
twitter: @alicevet


Fonte das imagens:
http://felinediabetes.com/FelineBMI.pdf
http://vet.osu.edu/vmc/body-condition-scoring-chart
Leia mais:
http://blog.embracepetinsurance.com/2010/08/measuring-my-cats-body-mass-index-fbmi.html





Hoje vamos falar de um problema que acomete grande parte da população de humanos e gatos que vivem dentro de casa, a obesidade.

Foto: Aldebarã da Viviana e do Rodolfo
Geralmente os gatos chegam à clínica dentro de suas caixinhas, com aquele proprietário arfando ao carregar, e nos entregam a “encomenda” que a gente carrega até o consultório daquele jeito que parece arrancar o braço de tão pesados. O dono não percebe que o gato não cabe mais na caixa e é difícil desencalhar o animal de dentro da mesma. O bichano geralmente dorme durante a consulta só de te ouvir falar demais.

Eu ouvi certa vez em uma palestra que donos de gatos têm dois objetivos: o primeiro é colecionar gatos e o segundo é engordá-los.

A obesidade é um problema muito comum em felinos domésticos e é definido como um acúmulo de quantidade excessivas de gordura corporal. Gatos são classificados como estando em sobrepeso quando seu peso está cerca de 10% acima do peso ótimo e como obesos quando estão acima de 20%.

Estima-se que cerca de 35% dos gatos adultos estejam com sobrepeso ou obesos (nos EUA), em gatos com 5 a 11 anos, entretanto a obesidade foi diagnosticada como doença base em consultas de apenas 2,2% dos casos, o que sugere que os veterinários ainda não estejam encarando a obesidade como uma séria condição médica. Outro agravante está no fato do proprietário geralmente subestimar a condição corporal do seu gato, quando comparado com a avaliação do veterinário, e não leva-lo para a consulta com essa sendo a queixa principal.
O fator de risco mais importante para a obesidade é a castração, outros fatores são a idade, raça, regime de alimentação à vontade, problemas endócrinos e falta de atividade física.

As doenças tendo como obesidade uma das causas principais em felinos são: diabetes mellitus, afecções lipêmicas, lipidose hepática, doenças dermatológicas e claudicação.

O principal tratamento da obesidade consiste na diminuição do consumo de energia que leva a um desbalanço negativo da energia e mobilização das reservas de gordura. Infelizmente muitos fatores estão ainda atrapalham, uma vez que os gatos diminuem ainda mais as suas atividades quando são privados da alimentação habitual.


O quanto devemos alimentar?

O histórico alimentar deve ser bem estabelecido para esclarecer o quanto de calorias que o gato come por dia. A partir desse valor, deve-se dar 80% do mesmo, como um ponto de partida para o início do tratamento de perda de peso.

Na maioria dos casos, esse valor não pode ser estabelecido (quando o animal recebe alimentação à vontade, por exemplo), então alguns autores calculam como a quantidade calórica ideal seguindo a seguinte fórmula (Kcal por dia): (kg)0,75 x 56.


Devemos alimentar com o que?

Rações comerciais desenvolvidas para a perda de peso são ideais no tratamento seguro da obesidade. Essas rações têm menor densidade de energia pelo uso de fibras, água ou ar. O mais importante é que elas são bem supridas com proteína, vitaminas e minerais, o que previne uma má-nutrição.


Monitoramento:

Autores recomendam pesar o animal após duas semanas de tratamento e as situações que podem acontecer são: (1) perda de peso, (2) ganho de peso, (3) permanecer no mesmo peso.

As duas últimas situações geralmente acontecem quando um bom histórico dietético e estimativa do ganho diário não foram obtidos. O ideal é uma perda de peso de 1 a 2% (do peso inicial) por semana.

Caso o paciente não perca peso após tentativas de troca de ração e nova estimativa do peso diário, uma restrição de 10 a 20% do consumo diário de energia pode ser tentada. Caso a perda de peso seja muito rápida, um aumento de 5 a 10% no consumo diário de energia deve ser feito. Com a perda de peso ideal, a dieta deve ser mantida e monitorada pelo veterinário e o proprietário.


Prevenção:

A melhor forma de prevenção é a realização de visitas periódicas ao veterinário após a castração, principalmente se outros fatores de risco estão incluídos. Outra forma de prevenção é o controle das calorias consumidas, não deixando a alimentação à vontade.

Lembrando que o tratamento da obesidade como a indicação da melhor alimentação e protocolo alimentar deve ser estabelecido pelo veterinário e varia de um animal para o outro, a depender da idade e de outros fatores.

Ah, e o mais importante, se você estiver precisando perder peso, faça uma dieta junto com seu gato, isso vai estimulá-lo a continuar nessa batalha. Coloque um cadeado na geladeira um plug nos ouvidos, pois a tentação é grande e o choro de um gato com fome é maior ainda.

Alice Ribeiro
diarioveterinaria.blogspot.com
twitter: @alicevet





A cardiologia em felinos é uma área desafiadora. É preciso bastante experiência e conhecimento para realizar um bom exame físico e detectar os sintomas. Os gatos apresentam peculiaridades que os diferenciam dos cães nos exames, como uma maior freqüência cardíaca e um coração menor.

Foto: Tatiane Noviski Fornel
http://patchworktatinski.blogspot.com/
Os felinos podem apresentar uma série de doenças cardíacas, com início agudo, caracterizado por dificuldade respiratória, tosse e inapetência, ou com sintomas aparecendo lentamente, sendo muitas vezes a doença cardíaca diagnosticada em exames de rotina.

As doenças do sistema cardiovascular podem ser congênitas (o animal já nasce com elas) ou adquiridas, e acometem animais de qualquer idade. A cardiomiopatia hipertrófica (CMH) é a doença cardiovascular com maior freqüência em felinos e ela é definida pela hipertrofia não dilatada do ventrículo esquerdo, na ausência de outra doença cardíaca. A sua causa é desconhecida e acredita-se que, tal como em humanos, tenha base genética. A CMH acomete com maior freqüência machos jovens e de meia idade, mas pode também ser diagnosticada em animais com menos de um ano. Gatos domésticos de pêlo curto apresentam maior incidência, seguidos pelos maine coons e persas.

Anatomia e fisiologia:

Clique nas imagens para ampliar.
O coração dos mamíferos é formado por 4 câmaras, os átrios esquerdo e direito e os ventrículos esquerdo e direito. O sangue vem do corpo pelas veias cavas que desembocam no átrio direito, passa para o ventrículo direito e segue para os pulmões. Nos pulmões o sangue é oxigenado e retorna para o coração no átrio esquerdo, vai para o ventrícilo e esquerdo de onde é bombeado para o corpo todo. Considerando que o ventrículo direito bombeia o sangue para os pulmões e o esquerdo para o corpo todo, é fácil assimilar que o ventrículo esquerdo trabalhe mais e seja maior que o direito.

A hipertrofia do ventrículo é caracterizada pelo aumento do mesmo. Então quando olhamos o RX e vemos que o ventrículo está aumentado, dizemos que ele apresenta hipertrofia. O ventrículo é uma câmara, cujas paredes são o músculo cardíaco. Quando uma câmara está aumentada no RX ela pode estar aumentada porque as paredes se afinaram e esta comporta muito mais sangue (hipertrofia excêntrica) ou as paredes engrossaram e o espaço da câmara para comportar sangue está reduzido (hipertrofia concêntrica).

Para entender o desenvolvimento da doença, dos sintomas, sua gravidade e o tratamento é importante entender esses aspectos. A hipertrofia do ventrículo esquerdo na maioria dos casos de CMH, é concêntrica. Esse aspecto vai levar a um turbilhonamento sanguíneo nas câmaras cardíacas, aumentando a propensão do desenvolvimento de trombos.

Manifestações clínicas:

Os sinais clínicos mais comuns são falta de apetite, relutância em se mover, dificuldade respiratória, desmaios e paresia dos membros posteriores (diminuição da sensibilidade e ausência da atividade motora dos membros traseiros) devido a trombos.

Muitos gatos estão normais e são diagnosticados com batimentos irregulares ou sopro durante o exame físico de rotina.

Diagnóstico:

VALENTINE heart.
O melhor diagnóstico é feito pela combinação dos sintomas clínicos com os resultados do ecocardiograma. As alterações em eletrocardiograma são variáveis e inespecíficas, que indicam aumento de ventrículo esquerdo. No raio X é comum visualizar o chamado coração “valentine”, que é o coração no formato , que indica aumento dos átrios. Também pode-se visualizar edema pulmonar e efusão pleural (líquido ao redor dos pulmões) sendo secundários à insuficiência cardíaca.

O diagnóstico é fechado com o exame ecocardiograma, onde as câmaras cardíacas podem ter suas paredes e os gradientes de pressão mensurados. Outras características também são avaliadas nesse exame. Elas vão não só estabelecer o diagnóstico, mas também verificar a gravidade da doença.

Diagnóstico diferencial:

Hipertireoidismo e hipertensão podem causar hipertrofia do ventrículo esquerdo, portanto essas doenças devem ser descartadas antes de se fechar o diagnóstico de CMH.

Tratamento:

O tratamento envolve o uso de drogas que vão amenizar os sintomas da insuficiência cardíaca e visam melhorar a qualidade de vida do animal. Se a pressão estiver aumentada, também será recomendada uma dieta com restrição de sódio.

A doença cardíaca é uma doença que evolui a “galope” e os medicamentos vão fazer com que ela passe a “engatinhar”.

A resposta ao tratamento vai depender dos sintomas no momento do diagnóstico. Pacientes sem sintomas possuem um excelente prognóstico a curto prazo e até a longo prazo.

É importante levar seu gatinho para exames de rotina periodicamente, garantindo assim que nesse coraçãozinho só tenha o amor ao seu dono, nada mais.


Alice Albuquerque
diarioveterinaria.blogspot.com
twitter @alicevet


Fotes:
CARO, A. Feline Hypertrophic Cardiomyopathy. Southern European Veterinary Conference, 2008.
SHERDING, R. G The Cat Diseases and Clinical Management, volume 1, 2ª edition, 1994.
Fontes das imagens:
http://www.pictures-of-kittens-and-cats.com/images/cat-heart-and-lungs.jpg
http://consciouscat.net/wp-content/uploads/2010/06/catheart.jpg
http://www.marvistavet.com/assets/images/xray_cat_with_CHF.jpg



No final do ano passado, li numa revista (Veja se não me engano) sobre um estudo que fizeram sobre a física envolvida no ato de ingerir líquido dos gatos. Achei muito interessante, mas não encontrei mais isso para postar aqui no Tudo Gato. Mas, em compensação, achei esse estudo comentado numa matéria da BBC e com um vídeo para ilustrar!

Gostaria apenas de lembrar que não é aconselhável dar leite regularmente para gatos. A pesar de gostarem muito, isso pode lhes trazer alguns problemas de saúde.

Espero que gostem da matéria e deixem seus comentários!

Abraços,
Lauesg


Um novo estudo, feito por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, diz ter encontrado a resposta para um mistério que envolve o modo como gatos bebem leite sem molhar o queixo.

Ao examinar um gato doméstico com as câmeras de alta velocidade, os cientistas constataram que o animal usa a língua para carregar a água para a boca sem romper a tensão na superfície do líquido.

O estudo, publicado na revista Science, explica como os gatos se diferenciam dos cachorros, que fazem mais bangunça na hora de matar a sede.

O biofísico do MIT Roman Stocker, que coordenou o estudo, diz que teve a ideia de investigar a física das lambidas desses animais após assistir ao seu próprio gato Cutta Cutta se alimentando.

"Me dei conta de que há um problema biomecânico interessante por trás dessa ação tão simples. O projeto evoluiu a partir daí", declarou.

Cutta Cutta foi também a cobaia do estudo, que envolveu engenheiros, físicos e matemáticos do Instituto Politécnico da Virgínia e da Universidade de Princeton, e durou três anos e meio.

As imagens mostram que gatos usam um mecanismo mais complexo e sutil para beber, ao contrário de humanos, que sugam o líquido, e de cachorros, que dobram a língua para a frente formando uma espécie de concha.

A língua do gato se dobra para trás ao descer em direção ao liquido e toca levemente na superfície dele, ao invés de mergulhar.

Stocker explica que "o fluido entra em contato com a língua e adere a ela. Ao puxar a língua rapidamente de volta, o gato cria uma coluna de líquido que vai até a boca".

Ao fechar a mandíbula, o animal captura parte do leite, e repete o movimento.


Língua-robô

Para compreender o mecanismo com mais detalhes, os pesquisadores criaram uma língua de gato mecânica, e concluíram que o processo é o resultado do equilíbrio entre duas forças - a inércia e a gravidade.

Segundo Roman Stocker, a criação da coluna de líquido é regida pela inércia - a tendência de uma substância de se movimentar em uma direção até que outra força intervenha. A outra força em questão é a gravidade.

"No início, a coluna de leite tem mais comprimento e volume, mas em algum momento a gravidade se sobrepõe à inércia e ela cai de volta na tigela", explica.

Por isso, de acordo com o estudo, o gato precisa saber qual é o exato momento de fechar a boca, para conseguir capturar o máximo de leite que sobre na coluna.

Gatos domésticos dão, em média, quatro lambidas por segundo, cada uma trazendo cerca de 0,1 mililitros de leite para a boca. Grandes felinos como os tigres, lambem mais devagar para manter o equilíbrio entre as duas forças, já que tem línguas maiores.

Stocker e seu time não sabem explicar por que o ato de beber para os gatos envolve um mecanismo tão diferente de outros animais, mas a suspeita é de que ele pode ter nascido da conhecida aversão dos felinos à água.

Eles acreditam que a cara do animal, especialmente a região ao redor do nariz, é extremamente sensível. "Por causa isso, eles devem querer que ela fique o mais seca possível", diz Stocker.

Fonte: Site BBC Brasil




No artigo passado nós falamos sobre a castração de gatos, com ênfase no gatinho macho. Vez ou outra eu tenho um proprietário de um casal de gatos com a dúvida sobre qual dos dois castrar. As vantagens e desvantagens da castração são para ambos os sexos, claro que existem aquelas específicas para o macho e para a fêmea. Então, vamos falar das “meninas”.


Tal como no macho, a castração da fêmea envolve também a retirada das gônadas responsáveis pela produção de hormônios sexuais. A Ovario-salpinge-histerectomia é o procedimento de contracepção cirúrgica mais comum em fêmeas, com retirada dos ovários, salpinges e cornos uterinos.

A castração da fêmea em idade pré-puberal é um fator muito abordado nas clínicas veterinárias. As neoplasias de mama (isto é, tumores de mama) são afecções que podem acometer gatas por volta de 10 a 12 anos, podem ser malignas ou benignas sendo que as malignas são frequentes em cerca de 85% dos casos. Trata-se de uma neoplasia "hormônio dependente", portanto, a incidência (para neoplasias benignas) está aumentada quando há uso de progestágenos (anti-concepcional) para prevenir o estro (cio).
Estudos relatam que a incidência de neoplasias mamárias malignas e benignas é fortemente reduzida quando é realizada a castração da fêmea jovem. Quando a gatinha é castrada por volta dos 5.5 meses, na maioria das vezes antes do seu primeiro cio, o risco de se desenvolver neoplasias mamárias é de 7 vezes menor do que nas gatas não castradas. Na espécie humana foi encontrado um efeito “protetor” no desenvolvimento da neoplasia de mama naquelas mulheres que tinham ao menos uma gestação, porém o mesmo não foi observado em gatas e cadelas.

Aliás, o uso de anti-concepcional é bastante perigoso em gatas, pelo risco do desenvolvimento de hiperplasia mamária (aumento no tamanho e número de células de tecido mamário, tendo aspecto macroscópio de grandes tumores) e também de neoplasias benignas. Não foi encontrada relação no desenvolvimento de neoplasias malignas com o uso de anti-concepcional, mas foi encontrado no desenvolvimento daquelas benignas. Vale lembrar que as neoplasias benignas podem mudar seu comportamento para malignas no curso da doença.

Outra vantagem bastante aproveitada na castração das fêmeas é a supressão do comportamento sexual. Os gatas podem ser bastante expressivas durante o cio, vocalizando sem parar, e algumas delas também marcam o território com urina em spray. Com o objetivo de preservar a carga genética, as fêmeas ovulam durante o coito, isto é, funciona como uma garantia de que aquele será o pai daquela ninhada, já na cadela isso não acontece, com a ovulação cerca de 7 – 12 dias após o início do sangramento. Quando temos uma gata no cio, com o comportamento sexual, recomendamos que o proprietário umideça um cotonete com água e insira na vulva da gata apenas a ponta com algodão. Em seguida deve-se rotacionar o cotonete em sentido horário e anti-horário por alguns instantes. O objetivo desse procedimento é mimetizar o coito para que a gata ovule e então saia do cio.

A castração da gata envolve como risco todos aqueles inerentes à cirurgias abdominais com uso de anestesia geral. Pelo uso da anestesia existem os riscos de parada cárdio-respiratória e anafilaxia e por ser uma cirurgia abdominal existe o risco de hemorragia e infecção. Os riscos são minimizados pela realização de uma avaliação pré-operatória eficiente para a escolha do melhor protocolo anestésico; bem como uma equipe completa e treinada para o procedimento. Os riscos são agravados pela idade do animal (gatas acima de 7 anos), pela existência de doenças concomitantes como infecciosas, hepatopatias, cardiopatias ou nefropatias (fígado, coração e rins).

Ainda mais especificamente nessa cirurgia existe o risco do desenvolvimento da Síndrome do Ovário Remanescente (SOR). Essa síndrome consiste na expressão do comportamento sexual, isto é, o cio, mesmo depois da castração. A SOR pode ocorrer quando parte da córtex ovariana permanece na gata, isto é, quando o ovário não é retirado completamente e o pequeno fragmento que fica pode ser funcional. Pode haver também a reimplantação e a vascularização de um fragmento do ovário que cair na cavidade abdominal durante a cirurgia. Já foi relatada também a presença de tecido ovariano acessório no ligamento do ovário, podendo o cirurgião retirar completamente a gônada, sem saber da presença desse tecido, que vai poder se tornar funcional posteriormente. O tratamento preferencial da SOR é a cirurgia, entretanto alguns proprietários podem optar pela administração de progestágenos para a inibição do cio.

O pós operatório da gata castrada envolve a administração de anti-inflamatório e antibióticos via oral (podendo também ser injetáveis), a limpeza, aplicação de pomada cicatrizante e curativo da ferida cirúrgica. Algumas gatas se comportam bem sem acessar a lesão, com o uso da roupinha cirúrgica. Porém a maioria delas é danada, portanto para todas elas eu recomendo o uso concomitante do colar elizabetano. A retirada de pontos deve ser realizada pelo veterinário cerca de 7 a 10 dias após a cirurgia, com avaliação da cicatriz e ocorrência ou não de hérnia.

A hérnia que pode acontecer quando há reação local ao fio usado na sutura do peritônio, mas a causa mais comum de hérnia é a falta de repouso. A gatinha deve ficar em repouso durante ao menos 5 dias, sem poder sair de casa, passear, subir em estantes, janelas, muros, isto é, com sua movimentação limitada.

A alimentação após a cirurgia deve específica para gatas castradas, estando disponíveis nas melhores marcas do mercado.

Bom, é isso aí, espero ter alcançado o objetivopopulacional. É muito frequente, principalmente em cidades do interior, a existência de muitos gatos errantes, sendo uma boa parte deles considerado ferais. Esses gatos se alimentam de restos de comida e de caça, vivem na periferia, lutam pelo território com outros gatos errantes ou semi-domiciliados (que têm casa e também o acesso à rua). Todos esses fatores podem levar à propagação de antropozoonoses (doenças transmitidas dos animais para os homens e vice-versa), doenças felinas infecciosas, gestações indesejadas. A castração e soltura desses animais pode apresentar um efeito na redução da população errante a longo prazo, sendo essa afirmação muito contraditória em estudos na Europa, onde a migração de animais vai interferir na avaliação da diminuição dos animais errantes.

Eu defendo sempre a castração. Evita uma série de doenças, comportamentos indesejados, gestações indesejadas. Para aqueles que desejam um gatinho novo, filho daquele gato lindo da vizinha que “bem que poderia cruzar com a gata amarela da rua de trás”, eu recomendo que visite o Centro de Controle de Zoonoses da cidade e se apaixone por um gatinho dali, oferecendo uma chance única a ele.

Até mais!

Alice Albuquerque
diarioveterinaria.blogspot.com
twitter: @alicevet

Literatura consultada:
Withrow and MacEwen's Small Animal Clinical Oncology


Sigam:
http://miaaudote.blogspot.com/
http://caopaixao.com.br/


Leia mais:
http://diarioveterinaria.blogspot.com/2010/02/neoplasias-mamarias-em-cadelas-e-gatas.html
http://www.vetmed.lsu.edu/eiltslotus/theriogenology-5361/ovarian_remnant_syndrome.htm
http://www.jvdi.org/cgi/reprint/7/4/572.pdf



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...