4 de jul de 2011

Gato Feral - Adotar e Amar


Você pode não conhecer o termo, mas com certeza já cruzou com algum por aí.


Ele vive pelas ruas, becos, prédios abandonados, parques ou rondando feiras e restaurantes. Não é castrado e vive, muitas vezes, em bandos.


É um gato de rua sim, mas é especial. E é um problema.


O gato feral não se socializa com humanos. Além da caça ele vive das sobras de nossa sociedade, mas não se deixa domesticar.


Nem todo gato de rua é um gato feral. Muitos já tiveram donos e foram abandonados ou fugiram e se perderam. Normalmente, eles podem ser ressocializados e adotados.


Com o gato feral, nem sempre isso é possível. Embora um filhote possa ser adotado e socializado sem maiores problemas, com o adulto muitas vezes é impossível.


Ele pode ter nascido na rua e nunca ter tido contato com humanos. Também aprende com a mãe a evitar esse contato. Ou, mesmo um dia tendo tido um dono, dependendo de suas experiências nas ruas, ele pode perder a capacidade de socialização.


As colônias de ferais, muitas vezes vivem muito perto dos humanos, pois se mantém por perto de onde há comida. E é aí que aparece o conflito. Injustamente acusados de serem transmissores de doenças e responsáveis pelo desaparecimento de várias espécies de pássaros e insetos, muitas colônias são atacadas e vários animais são mortos, causando mais temor ao contato humano e tornando-os mais selvagens.


Quando surge um conflito entre humanos e uma colônia de gatos ferais, normalmente a primeira atitude é chamar o CCZ local. Com raríssimas exceções, o que os órgãos públicos fazem é capturar e remover (leia-se matar) os animais.


Acontece que isso, além de cruel, não funciona. O que configura desperdício de dinheiro público.


Você já tentou capturar um gato arisco? Conseguiu? Por mais eficientes que sejam os funcionários que irão realizar a captura (e eles não o são, pode ter certeza), nunca pegarão todos os gatos. Os gatos restantes continuarão se reproduzindo e seus descendentes repovoarão a colônia. Com menos gatos, a competição por alimentos no local também será menor, o que atrairá mais gatos.


A forma mais eficiente – e humana de gerenciar uma população de gatos ferais é capturar, castrar, vacinar e devolver ao local de origem. Filhotes e adultos passíveis de socialização são encaminhados à adoção (sempre depois de castrados e vacinados). Os adultos saudáveis e não domesticáveis são devolvidos onde foram encontrados e supervisionados por voluntários.


No estado de São Paulo existe uma lei (Lei 12.916, de autoria do deputado Feliciano Filho) que prevê a existência do Cão Comunitário. Infelizmente, não há nada parecido em relação aos felinos.


É claro que nem todos gostam de ter gatos rondando seus estabelecimentos comerciais, miando em seus telhados ou subindo em seus carros.


Mas, se você ama os gatos e conhece uma colônia de ferais que viva por perto, pode tentar ensinar aos outros alguns truques para um convívio harmonioso.

Alguns truques para usar e ensinar:

Gatos vagando pelo quintal ou varanda.
Existem repelentes a venda em pet shop para serem usados no piso e que têm como função repelir gatos;
Instale um sensor de presença conectado a um sprinkler, que irá disparar a água quando o gato entrar no jardim é uma boa solução;
Jogue água com uma mangueira, para que eles entendam que não são bem vindos naquele local.

Gatos dormindo na edícula, depósito ou telhado.
Bloqueie a entrada dos gatos com cerca de galinheiro ou treliça, tomando o cuidado de verificar se não há filhotes escondidos nestes lugares.

Gatos mexendo no lixo.
Mantenha a lixeira bem tampada. Lixo a céu aberto atrai todo o tipo de animais (inclusive gatos);
Tente encontrar vizinhos que também gostem de gatos e forneçam alimentação regular a eles, longe das lixeiras. Forneçam alimentação em quantidade suficiente para que seja consumida na mesma hora. Se sobrar comida, insetos serão atraídos e novos gatos também.

Gatos subindo nos carros.
Uma capa resolve a questão de forma imediata;
Repelentes e desencorajamento com água, como no primeiro caso.

Gatos demarcando território.
A urina de gato tem um odor muito forte e desagradável. Existem produtos a venda para remover o odor. Vinagre branco diluído em água também ajuda;
A solução definitiva é a castração.

Gatos brigando e miando nos telhados.
De novo, a solução definitiva é a castração.

É um trabalho difícil, mas se ninguém tentar, nada muda nunca, não é?

Pra terminar, o endereço de dois projetos muito legais que trabalham com os ferais – um em São Paulo e outro em Santos. Vale à pena dar uma olhada: Projeto bicho no Parque e Cats of Necrópolis.

Um abraço.

Carol e Allan

http://miaaudote.blogspot.com/
twitter: @miaaudote



9 comentarios:

Zanarde disse...

oi
Eu não conhecia esse tipo de gato. Sempre vejo gatos de rua, mas eles são sempre dóceis comigo...
É bom saber disso, obrigada por essa informação tão importante.
bjsss

Laura disse...

Adoreio o post. Realmente, o trabalho da Patricia do Cats of Necropolis aqui em Santos é muito bacana!!! Vale a pena divulgar!!!

Bjs

Madam Maxwell disse...

Olá a todos! Isso me lembra uns ferais que "herdei" forçada, daqueles tipos que fazem caridade com o chapéu alheio.. com os outros gatos, eram todos felizes no gatil, mas chegou algum humano, eles sumiam correndo, se eu tentasse me aproximar era recebida à silvos, se tentasse encostar, era fatiada, mastigada e cuspida >.< quando fui levar p/ castrar, só com um cobertor muito grosso p/ pegar [medo]. Mas o importante de tudo é lembrar que os ferais, se não estiverem encurralados, não vão pular em vc com sede de sangue como vampiros na madrugada. Simplesmente fogem.Não precisa ter medo. só seguir da melhor forma, como puder, as indicações acima, que todos conseguem uma boa convivência.

João Víctor disse...

Essa história me lembrou de uma gata "vizinha" nossa que estava esperando filhotes. Estávamos com tudo preparado para acolhê-la, castrá-la após o parto e arranjar lares para os gatinhos, quando achamos ela morta no nosso quintal. Talvez vítima de chumbinhos colocados por alguém que não gosta de gatos...
Castração já!!!!

faby disse...

Quinta passada eu e meu namorado achamos um filhotinho preto jogado fora, tentamos pegar o gatinho mas este era furioso, até me mordeu. Só consegui pegá-lo porque tirei a manta do meu pescoço e atirei por cima, na mesma hora achamos donos para a gatinha. Na sexta a guria me liga avisando que a gata era furiosa e não queria mais, levei pra minha casa e estou domesticando-a, já esta bem mais mansinha, mas provavelmente se ficasse nas ruas seria um dos gatos ferais, com certeza.

Carol e Allan disse...

Oi gente. Vocês viram que legal a reportagem do Globo Repórter da sexta passada. Eles mostraram uma ong de São Paulo que faz um trabalho de castração e soltura de gatos. Certamente a maior parte deles é assim, feral. Nunca serão adotados, mas vivem bem no seu mundinho. Só precisam que os respeitem e os deixem viver.

humanidades disse...

Prezados, pelo amor de Deus...resgatei um filhote de gato (macho) na rua anteontem...ele deve ter 1 mês de vida. Mas nao aceita nossa presença (ameaça-nos com o chiado típico de que vai agredir), está inquieto louco para sair do quarto. Mia demais, evita nossa presença sentindo-se ameaçado, qualquer barulho o faz ficar assustado. Nem a presença da irmazinha dele (resgatada da rua um dia antes dele) o está acalmando. Sei que ele deve estar sentindo falta da mãe (isto é óbvio), mas tenho percebido que é mais que apenas sentir falta da mãe. Passei a noite toda acordado com ele (até ás seis da manhça de hoje). Ele fica mirando todos os lados, como que à espera da mãe que nunca vem e querendo encontrar todos os buracos, frestas e saídas para evitar nossa presença. Para terem idéia, ele escalou cmo as unhas o marco da porta até chegar quase ao teto de desespero. Comprei um floral de bach emergencial(rescue) e não sei mais o quen fazer. Eu não posso ficar com ele. O rodízio de gatos aqui é gigantesco (resgato e doo). Sempre estou resgatando e preciso encontrar um dono para ele, inclusive porque meu gato dominante (Lion) simplesmente o mata se eu o soltar (ele não aceita e bate em todos os outros da casa). Estou sem saber o que fazer. Será que ele é feral? Será que amanhã ele já começa a ficar mais calmo? Qe faço pessoa? Ajudem-me, por favor.
Obrigado
Frederico

Anônimo disse...

Exato. Castracao. Lembrando que e totalmente ilegal infrigindo o artigo 32 da Lei 9.605 de crimes ambientais, aplicar eutanasia (exterminar) caes, gatos, cavalos, pombos e ate morcegos ou qualquer animal domestico ou silvestre que nao apresente zooantroponose incuravel e por contato. Gatos e animais que estiverem ''incomodando'' os super racionais e especiais seres humanos podem ser evitados nas casas com o uso de telas nos portoes ou ao redor do telhado, muros altos (sem armadilhas como vidros ou espetos) ou com outros animais que podem afastar o ''intruso''. Domesticar o proprio animal intruso de maneira que ele pare de causar transtorno tambem funciona sendo ideal chamar um veterinario especializado para castrar o animal. Em algumas cidades brasileiras ja existe o castramovel, um programa do CCZ que cadastra os animais de tutores de animais domesticos ou abandonados para aplicar esterilizacao cirurgica com finalidade de evitar prole desordenada. E breve sera implantado em todo o pais. Esta seria uma forma etica e eficaz de controlar animais domesticos que podem servir de reservatorios de doencas ou causar certos transtornos em alguns locais. A castracao funciona muito bem e foi comprovado sua eficiencia em diversos paises da Europa/USA/Asia, etc.

Iuri
Agente de Combate as Endemias do CCZ, Tecnico em Meio Ambiente e Vigilancia em Saude, e Estudante de Tecnologia em Saneamento Ambiental.

Anônimo disse...

Leishmaniose nao e doenca incuravel. Leishmaniose pode ser tratada. A rabiose e a unica doenca que nao tem como tratar quando no animal ja esta manifestada. Eutanasia so em casos de zooantroponoses ja manifestada e que possa ser transmitida por contato dreto e que seja caso de saude publica. Denuncie ao Ministerio Publico qualquer ato de crueldade praticada por qualquer pessoa, fisica ou juridica, publica ou privada.

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