Esta é a nossa segunda coluna no Tudo Gato e a minha estréia por aqui. Desde a primeira postagem havíamos decido que neste segundo momento iríamos falar sobre posse responsável. E este é definitivamente o assunto sobre o qual vocês mais vão nos ver falando. Por quê? Porque todos os dias animais são abandonados, ou morrem por falta de cuidados veterinários, ou doenças que poderiam ser prevenidas, atropelamentos, maus tratos, enfim. Nós íamos falar sobre posse responsável de um modo geral, para depois entrarmos em aspectos específicos, mas depois das duas postagens sobre castração da Dra. Alice (parte 1 e parte 2), resolvemos pegar o gancho e focar nesse assunto também; assim poderemos esgotá-lo.

Filhotes abandonados no CCZ
Então, depois de um cursinho intensivo sobre castração sob o aspecto clínico na coluna Dia de Veterinária (assim que eu decorar todos os aqueles termos técnicos quero meu diploma, hehe!), vou falar sobre castração sob o ponto de vista do abandono e da posse responsável. Isso porque acreditamos que castrar é sim uma atitude responsável.

Sem dúvida alguma a principal causa de haver tantos animais abandonados é a reprodução desenfreada e, na maioria das vezes, indesejada. Quem já não viu uma ninhada de gatinhos em uma caixa de papelão deixada na rua, na porta de algum comércio ou residência (e é claro que eles não entraram nessas caixas sozinhos...)? Ou não conheça alguém que, por algum descuido, deixou seu animal cruzar e simplesmente não sabia o que fazer com as crias? Pois esta situação é mais comum do que muita gente imagina. Uma parcela enorme dos animais que vemos pelas ruas são crias de animais que têm um proprietário. Um proprietário que normalmente não entende a dimensão do problema e, principalmente, não entende que é parte dele. É claro que animais de rua também dão cria, mas numa proporção bem menor, afinal, não é fácil viver por aí, em condições adversas, com pouca comida disponível, quase sempre desnutrido. Por isso mesmo, eles são menos férteis e têm menos chances de manter uma gestação até o final. Além disso, morrem mais cedo e, conseqüentemente, tem uma vida sexual mais curta.

Gata abandonada com os filhotes
Para se ter uma idéia da gravidade do problema, entre outubro e novembro deste ano, tivemos notícia de cerca 30 filhotes de gato precisando ser adotados (tanto através do Miaaudote quanto pelos contatos da Associação Vida). Destes, 7 conseguiram novos lares. O restante, ainda está por aí, a procura de quem os adote (estamos abrigando 3 aqui em casa). Esses ainda podem se considerar gatinhos de sorte, pois alguém se importou com eles. Fora estes, vários outros não vão ter a mesma chance. Recebemos ligações quase que diariamente de pessoas querendo entregar ninhadas inteiras de gatos. Quando falamos que não temos um abrigo de animais, simplesmente dizem que então não podem fazer mais nada (insinuando um final trágico para os bichanos)! E o pior é que mesmo assim não fazem questão de castrar seus animais. Quase sempre, esperam que estes tenham várias crias para só depois considerar tal hipótese.

Isso quando se trata de fêmeas. A castração dos machos normalmente nem é cogitada. Afinal, ele é quem vai atrás da fêmea, não é? E o abacaxi vai ser de outra pessoa! Ao contrário dos cães, onde a procura por adoção de fêmeas é maior, em se tratando de gatos, todos só querem machos. Por que será??

Castrar ou não castrar?
Existem muitos motivos que levam as pessoas a não quererem esterilizar seus animais. Alguns a Dra. Alice já esclareceu em suas postagens: O animal engorda? A fêmea precisa ter uma cria antes de ser esterilizada? A cirurgia é arriscada? Mas há outros:

É contra a natureza! - Antes do direito natural de se reproduzir está o direito da ninhada não ser morta depois. Nós temos o direito de nos reproduzir, mas temos a opção de fazê-lo ou não. Os animais não têm essa opção.

Eles merecem ser felizes, sexo é bom e blá, blá, blá... – Temos uma tendência em humanizar os animais. Quando o veterinário sugere a castração para um macho, por exemplo, o proprietário masculino tende a “proteger-se” como se fosse sugerida para ele mesmo. Os animais não são como nós. Não fazem sexo por prazer, apenas seguem instintivamente as ordens de seus hormônios; caso contrário, fariam sexo mesmo sem estar no cio. Pergunte à Dra Alice como é o rala e rola entre os gatos (a falta de um vocabulário mais técnico me impede de comentar o assunto).

Quero que meus filhos vivenciem o “milagre da vida” (essa é ótima!). - Um bebê animal é um ser frágil e desprotegido que inspira muita compaixão Se você quiser viver em casa esta experiência sublime e ensinar aos seus filhos o respeito pela vida alheia não é necessário que sua gata tenha uma ninhada. Telefone a qualquer associação e acolha uma fêmea prestes a dar a luz ou já com sua ninhada. Você poderá cuidar deles até que possam ir para adoção. Será uma experiência duplamente gratificante: a da nova vida e a da generosidade para com os animais abandonados.

Mas eu gosto tanto de meu bichinho! Queria ter um filhote igual a ele. - Nenhum filho do animal vai ser a sua cópia. Cada animal é único e com personalidade própria. Além do mais, uma cria não gera apenas um filhote. Se sua gata tiver uma ninhada de 6 filhotes, você não vai ficar com todos, não é mesmo? Mesmo que se consigam bons donos para eles, não é possível garantir que as crias destas crias não virão a ter outras crias e que terão sempre bons lares, donos responsáveis e nunca serão vítimas de abandono. E a responsabilidade será, em primeira instância, sua.

Prontos para a adoção!
O fato é que precisamos que o governo invista maciçamente em campanhas de castração sim. Isso é um ponto. Mas as pessoas também precisam entender que, ter um animal de estimação envolve não só a responsabilidade para com esse animal, mas também a responsabilidade social de garantir que ele também não venha a contribuir, direta ou indiretamente, com o aumento de uma população já imensa de animais abandonados.

Beijos a todos!

Carol.
http://miaaudote.blogspot.com/
twitter: @miaaudote



14 comentarios:

Laura disse...

Lindo post!! E muito importante também!!!
Parabens, Carol!!!

Bjs

Bea disse...

Excelente artigo, castracao so tem beneficios! Ontem mesmo eu ouvi essa desculpa, "ah nao castro nao, o bicho vai ser privado da vida sexual"... eu so pensei ca com meus botoes "acho quem ta precisando de vida sexual é voce, meu filho!". Ignorancia é fogo!

gilvas disse...

texto muito esclarecedor! o teu blog e o da ana corina são excelentes ferramentas de apoio para colocar um mínimo de noção em muitas cabeças duras brasil afora.

Gisele Oliveira. disse...

A matéria está ótima. Eu sou protetora, e estou angustiada, pois minha mãe tem uma diarista que acolhe muitos gatos em casa, mas não quer castrar um sequer, pois acha que é "judiação". Conversei com ela, argumentei tentando não ser autoritária e antipática, mas... Sem sucesso! É lamentável a ignorância da nossa população! Assim, parabéns pela divulgação de informações tão importantes!

Helena disse...

Realmente o que falta nesse povo é Q.I! Uma vez, eu estava num petshop, e chegou um pai e uma filha de uns 12 anos com 4 filhotinhos de gato nos braços e entregou pra dona da loja colocar no "depósito" junto com mais 4 gatinhos que ja estavam na gaiola! Os bichinhos começaram a chorar desesperadamente com as patinhas pra fora da gaiola tentando pedir ajuda! Foi de fazer chorar! Aí a moça da loja perguntou se eu queria...eu disse que se pudesse levaria um. Aí ela falou que eu poderia levar todos que estaria fazendo um grande favor à ela! Disse também que o pai e a filha sempre levavam gatinhos pra doação que a gatinha deles sempre tinha cria...ja era de coustume jogar os gatinhos na gaiola e sair como se tivessem jogado um monte de lixo fora! Pelamordedeus, né? Será que essa gentinha imbecil não tem um mínimo de inteligência pra saber que é só castrar a gatinha? E a vida dos bebês? Não vale nada? E o exemplo que esse pai está dando pra filha? Eles ainda nem tinham desmamado! É muita crueldade! Saí de lá na hora pra não brigar, e nunca mais voltei! Até hoje ainda penso no destino dos pobrezinhos.

INSPIRAÇÕES disse...

A pose rsposável é muito importante mesmo , pena que as pessoas não têm essa noção , um animal deve ser tratado com respeito .


Parabéns pelo post

bjo

Michele Correa disse...

Gostei muito do Post, Carol! Parabéns!
Eu sou apaixonada por gatos e há um ano trabalho num CCZ, já comprei várias brigas no meu local de trabalho pra defender os bichanos, que antes não tinham um minimo de atenção e respeito. Sofro muito quando me deparo com ninhadas de gatos, sem estar desmamados, abandonadas pela cidade, acabam vindo para o CCZ e, aí o que fazer com eles?
Há um mês recebemos três filhotinhos,abandonados em uma construção, com um dia de vida, sem exitar levei-os pra casa no mesmo dia, mesmo sabendo que é muito dificil a sobrevivência, pois nada substitui o cuidado e aleitamento materno. No mesmo dia, consegui uma gata adotiva pra eles, mas infelizmente, após um dia, eles foram rejeitados por ela. A dona da gata cuidou dos três, mas dois faleceram. Há uma semana ela entrou em contato comigo e pediu pra eu cuidar do sobrevivente, pois ela teria que viajar. Ele tá há uma semana comigo, lindo, pretinho, peludo, dei o nome a ele de Simon (por causa do Simon's cat...adoro!).
Mas não é fácil, é atenção 24h. Por não ter se alimentado com leite materno, tem problemas intestinais: ressecado. Hj mesmo vou levá-lo a veterinária dos meus gatos pra resolvermos esse problema.
Tb tenho dois outros gatos: a Penelope(siamesa) e o Tigrão (tigrado) adotados no C.C.Z. A Penelope é toda estressada e brava, não curte crianças e nem a veterinária, tudo isso por conta dos maus tratos sofridos antes de um mês de vida. O Tigrão é um amor, conseguiu conquistar o coração da Penelope e deixou ela mais calma tb. Ambos estão castrados, e são os donos da nossa casa!
A luta por esses animais é árdua, mas não podemos desanimar!
Bjos a todos!
Adoro esse blog!

Milene disse...

Sensacional o post, já foi o link para o blog que mantenho para proteção animal aqui da minha cidade. Infelizmente muitas pessoas acham normal cães e gatos errantes, largados à própria sorte. Por isso precisamos falar sobre isso toda hora. Não consigo compreender como pessoas deixam seus animais se procriarem e não ficam preocupadas com o destino dos descendentes, mesmo sabendo dos horrores que acontecem por aí. Aos poucos vamos conseguindo! Força a todos!!!!!

marisa licursi disse...

Post lindo e ilustração, como sempre, impecável!
beijos
Marisa

Repositório disse...

Parabéns pelo post!
Muito bom!
Vou divulgar.
Beijo

Carol e Allan disse...

Agradeço a todos pelos comentários. Convencer que a castração é o melhor caminho é sempre muito difícil, mas quanto mais a gente falar sobre o assunto e quanto mais pessoas a gente convencer de que essa é "a solução", mais estaremos contribuindo para minimizar o problema do abandono. Quando consigo convencer uma pessoa a castrar ao menos um gato penso que é como se eu tivesse salvo pelo menos uma dezena de filhotes de um destino incerto.
Beijos

Adriana Bandeira disse...

Perfeito. Não acrescentaria nada ao post.
É devido à teimosia e ignorância da população que o sofrimento animal continua. Por conta desse mesmo contingente de descabeçados eu tenho em casa 10 gatos (castrados, clarooo), todos recolhidos do abandono.
A vizinha aqui em frente minha casa é um exemplo de descaso. Possui cadelas inteiras e gatos inteiros, que vão criando e morrendo, de fome, atropelamento, envenenamento. E quando questionada, diz ser bobagem. Irritante...

Parabéns mais uma vez por espalhar informação de qualidae pela internet! abçs

Alice no País das Maravilhas disse...

Muito bom o post, gente. As pessoas ainda têm a idéia errada que a gata deve parir uma vez para evitar tumor de mama... isso não existe.. NÃO EXISTE. O efeito protetor da gestação contra o tumor de mama beningo foi observado apenas na espécie humana.
bjs

Ana Corina disse...

Queridos, este link vai ao ar lá no Mãe de Cachorro amanhã. Beijo!

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