foto: giane portal / fofurasfelinas
Atualmente, os gatos vêm se tornando companhia cada vez mais presente nos lares brasileiros. Ainda perdem em número para os caninos, mas é crescente o número de pessoas deste imenso país que vêm se apaixonando pela companhia cativante deste ronronante animal de estimação...

Esse aumento acaba gerando, também, mudança na mentalidade das pessoas quanto à forma com que abrigam os felinos de estimação. Especialmente nos grandes centros urbanos, vem sendo afastada a ideia de que os gatos domésticos devem ter vida livre, ou seja, podem ir e voltar para casa, a seu bel prazer. É indiscutível que criar um gato desta forma aumenta as chances de acidentes e morte prematura, razão pela qual vem sendo difundindo que aos gatos não se deve permitir sair livremente, mas sim serem mantidos em nossos lares, protegidos dos perigosos agentes externos.

Mas, por outro lado, gatos criados nestas condições podem acabar sendo privados, durante toda a vida, do convívio saudável com outros de sua espécie, cães e seres humanos em geral.

Gatos, por natureza, são animais retraídos, que costumam se sentir mais confiantes com pessoas e ambientes conhecidos, ou seja, onde detenham o controle do ambiente.

Ora, privar um gatinho do convívio com companheiros de sua espécie, bem como outros animais e seres humanos pode prejudicar, no futuro, sua adaptação a situações, locais e pessoas diferentes, gerando alto grau de estresse toda vez que for obrigado a se deparar com circunstâncias diferentes daquelas a que esteja habituado.

Assim, uma medida essencial para garantir ao gato uma vida adulta sem grandes sobressaltos quando deparado com novas realidades, é providenciar uma boa socialização na fase de filhote. Isto significa permitir a este filhote que seja apresentado ao maior número possível de pessoas e animais diferentes, sempre de forma positiva, objetivando fazê-lo acostumar-se mais facilmente a estas novidades.  No período de socialização, todos os laços afetivos (com animais da mesma ou de diferentes espécies) são formados e, por este motivo, constitui-se no período mais importante na vida do gato.

A chamada fase de socialização primária é bastante curta nos filhotes de felinos domésticos, ocorrendo, em média, da 2ª a 9ª semana de vida do bichano. Nem sempre é possível que o gatinho que iremos adotar esteja em casa dentro deste período. Mas, caso seja possível conhecê-lo durante nesta fase (mesmo que esteja ainda com a mãe), é importante prezar por um bom trabalho de socialização.

E o que significa fazer um bom trabalho de socialização? Esta tarefa consiste em permitir ao filhote vivenciar o maior número de experiência envolvendo várias pessoas diferentes, outros gatos e animais (como cães e pássaros). E isto deve envolver, sempre, manuseio gentil e bastante frequente dos filhotes, que deve ser recompensado por todos os comportamentos amigáveis que demonstrar. Esta recompensa pode consistir em ração úmida para filhotes, que eles costumam adorar! Gatos manuseados por vários seres humanos na fase de socialização primária costumam ser muito menos arredios a pessoas, se comparados àqueles que tiveram pouco contato com humanos na fase de socialização.



foto: giane portal / fofurasfelinas

Um bom exemplo de trabalho de socialização entre filhotes de gatos e crianças é colocar um pouco de ração úmida numa colher e deixar que a criança vá oferecendo ao gatinho, enquanto brincam. Da mesma forma com pessoas que tenham contato com o gatinho, que deve ser pego no colo e acariciado gentilmente.

Prezar por uma boa socialização permitirá que o gatinho se torne facilmente adaptável a presença de seres humanos, sendo receptível às visitas que chegam ao seu “território”. Assim, tenderá a se mostrar tranquilo e receptivo sempre que pessoas novas visitem a casa da família, sem que esta experiência se torne algo amedrontador e o faça esconder-se num cômodo até que os “invasores” deixem o ambiente...

Desta forma, conclui-se que fazer um bom trabalho de socialização com um filhote de gato que acaba de chegar ao novo lar é essencial para que se torne um adulto equilibrado e facilmente adaptável a novas pessoas e animais, sem que tal fato seja sinônimo de alto nível de estresse, tornando a convivência mais harmônica para todos!

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Cassia Rabelo Cardoso dos Santos
Colabora com textos para diversas publicações como o Guia Universo Pet, a Revista Pulo do Gato e a Revista Expressão. É adestradora da Cão Cidadão, franquia criada pelo especialista em comportamento animal Alexandre Rossi, que há mais de 10 anos atua no mercado oferecendo serviços de adestramento e consultas de comportamento em domicílio para gatos, cães e outros pets.
www.caocidadao.com.br



9 comentarios:

Deborah Ramos disse...

Ótimo post, e ótima coluna nova! Quando li que ia ser sobre "adestramento" de gatos, eu achei que ia falar sobre ensinar truques pra eles hehe

Laura disse...

Ameeeeeeeeeei o post! Que bacana! Seja bem vinda à equipe, Cassia!

Bjs

Laura

Cassia disse...

Oi, Laura! Estou adorando fazer parte! Bjs, Cassia

Marcelo Samegima disse...

Meus parabéns pela coluna. Muito interessante, e muito útil para nos veterinários.
Fico feliz em fazer parte de uma equipe tão especial!!!

Marcelo Samegima Aleixo
Gatos de raça
http://www.tudogato.com/search/label/Gatos%20de%20Ra%C3%A7a

Inês Domingues disse...

Bom dia,

Estou com uma duvida para a qual gostaria de alguns conselhos.

Tenho um gatinho que passa a noite ou a correr de um lado para o outro ou a miar.

Para além do inconveniente obvio de não conseguir dormir, pergunto-me se estará tudo bem com ele.

Isto é um comportamento normal?

Muito obrigada,

Inês Domingues

Rafaela - Tudo em Foco disse...

Interessante essa observação da socialização. Realmente, os gatos costumam ser pouco sociáveis e isso não só dificulta a adaptação deles à chegada de visitas e a mudanças, mas também a idas no veterinários e situações que deveriam ser comuns. Ótimo assunto para a coluna.

Fabíola disse...

Olá! Adorei o post, mas fiquei com uma dúvida. Tenho um gato que é nada sociável. Ele só fica dentro de casa e não tem contato com outras pessoas e nem com outros animais. Resultado: eu e ele moramos 3 meses na casa da minha mãe (que tem outro gato) e tivemos que deixar os dois separados; mesmo assim, o meu gato ficou superestressado e, agora que me mudei, ele ainda está estressado. Antes, ele era pouco sociável, mas permitia que o veterinário avaliasse e era mais carinhoso. Depois de ter "convivido" com o outro gato, não deixa mais o veterinário fazer o exame, ver se está tudo bem...ele chegou até a ameaçar de me atacar porque eu tentei pegá-lo para mostrar ao veterinário. Existe algo que possa ser feito? Ele já é adulto, tem uns 3 anos, mais ou menos.

Cassia disse...

Inês, tudo bem? Gatos costumam mesmo ser mais ativos à noite... Um conselho para tentar "adaptá-lo" à rotina dos seres humanos: invista em enriquecimento ambiental, ou seja, em atividades onde ele possa se divertir sozinho, à noite! Isto mesmo! Você pode deixar bolinhas de papel alumínio espalhadas (eles adoram objeto que brilham!), envelopes com ração escondida, brinquedos coloridos pendurados... Tudo isto fará com que ele gaste a energia acumulada. Boa sorte!

Oi, Fabíola! Realmente, pelo que você narra, seu gatinho é bem pouco sociável e isto torna situações novas, em ambientes novos, muito estressantes para ele. Para tentar amenizar a ida ao veterinário, tente levá-lo até lá em situações em que ele não precisará ser manipulado. Utilize a caixa de transporte a qual ele já esteja habituado e tente dar alimentos que ele adore, para fazer associações positivas com o local. Uma das formas para você constatar que ele não está estressado é, justamente, utilizando o apetite como forma de avaliação. A partir o momento em que ele começar a aceitar comida, já demonstrará estar mais relaxado. Mas você pode ter que fazer este "treino" muitas e muitas vezes antes dele se sentir à vontade... Boa sorte!

Paulo Vinícios disse...

Muito legal este post o meu bêbêchano tem cinco meses e alguns dias e des dos dois meses de vida eu tento socializalo com outras pessoas e animais e os posts do tudo gato estão me ajudando bastante, o nome do meu gato é nicolas mas a gente só chama ele de nico, mais uma vez muito obrigado.

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