A cardiologia em felinos é uma área desafiadora. É preciso bastante experiência e conhecimento para realizar um bom exame físico e detectar os sintomas. Os gatos apresentam peculiaridades que os diferenciam dos cães nos exames, como uma maior freqüência cardíaca e um coração menor.

Foto: Tatiane Noviski Fornel
http://patchworktatinski.blogspot.com/
Os felinos podem apresentar uma série de doenças cardíacas, com início agudo, caracterizado por dificuldade respiratória, tosse e inapetência, ou com sintomas aparecendo lentamente, sendo muitas vezes a doença cardíaca diagnosticada em exames de rotina.

As doenças do sistema cardiovascular podem ser congênitas (o animal já nasce com elas) ou adquiridas, e acometem animais de qualquer idade. A cardiomiopatia hipertrófica (CMH) é a doença cardiovascular com maior freqüência em felinos e ela é definida pela hipertrofia não dilatada do ventrículo esquerdo, na ausência de outra doença cardíaca. A sua causa é desconhecida e acredita-se que, tal como em humanos, tenha base genética. A CMH acomete com maior freqüência machos jovens e de meia idade, mas pode também ser diagnosticada em animais com menos de um ano. Gatos domésticos de pêlo curto apresentam maior incidência, seguidos pelos maine coons e persas.

Anatomia e fisiologia:

Clique nas imagens para ampliar.
O coração dos mamíferos é formado por 4 câmaras, os átrios esquerdo e direito e os ventrículos esquerdo e direito. O sangue vem do corpo pelas veias cavas que desembocam no átrio direito, passa para o ventrículo direito e segue para os pulmões. Nos pulmões o sangue é oxigenado e retorna para o coração no átrio esquerdo, vai para o ventrícilo e esquerdo de onde é bombeado para o corpo todo. Considerando que o ventrículo direito bombeia o sangue para os pulmões e o esquerdo para o corpo todo, é fácil assimilar que o ventrículo esquerdo trabalhe mais e seja maior que o direito.

A hipertrofia do ventrículo é caracterizada pelo aumento do mesmo. Então quando olhamos o RX e vemos que o ventrículo está aumentado, dizemos que ele apresenta hipertrofia. O ventrículo é uma câmara, cujas paredes são o músculo cardíaco. Quando uma câmara está aumentada no RX ela pode estar aumentada porque as paredes se afinaram e esta comporta muito mais sangue (hipertrofia excêntrica) ou as paredes engrossaram e o espaço da câmara para comportar sangue está reduzido (hipertrofia concêntrica).

Para entender o desenvolvimento da doença, dos sintomas, sua gravidade e o tratamento é importante entender esses aspectos. A hipertrofia do ventrículo esquerdo na maioria dos casos de CMH, é concêntrica. Esse aspecto vai levar a um turbilhonamento sanguíneo nas câmaras cardíacas, aumentando a propensão do desenvolvimento de trombos.

Manifestações clínicas:

Os sinais clínicos mais comuns são falta de apetite, relutância em se mover, dificuldade respiratória, desmaios e paresia dos membros posteriores (diminuição da sensibilidade e ausência da atividade motora dos membros traseiros) devido a trombos.

Muitos gatos estão normais e são diagnosticados com batimentos irregulares ou sopro durante o exame físico de rotina.

Diagnóstico:

VALENTINE heart.
O melhor diagnóstico é feito pela combinação dos sintomas clínicos com os resultados do ecocardiograma. As alterações em eletrocardiograma são variáveis e inespecíficas, que indicam aumento de ventrículo esquerdo. No raio X é comum visualizar o chamado coração “valentine”, que é o coração no formato , que indica aumento dos átrios. Também pode-se visualizar edema pulmonar e efusão pleural (líquido ao redor dos pulmões) sendo secundários à insuficiência cardíaca.

O diagnóstico é fechado com o exame ecocardiograma, onde as câmaras cardíacas podem ter suas paredes e os gradientes de pressão mensurados. Outras características também são avaliadas nesse exame. Elas vão não só estabelecer o diagnóstico, mas também verificar a gravidade da doença.

Diagnóstico diferencial:

Hipertireoidismo e hipertensão podem causar hipertrofia do ventrículo esquerdo, portanto essas doenças devem ser descartadas antes de se fechar o diagnóstico de CMH.

Tratamento:

O tratamento envolve o uso de drogas que vão amenizar os sintomas da insuficiência cardíaca e visam melhorar a qualidade de vida do animal. Se a pressão estiver aumentada, também será recomendada uma dieta com restrição de sódio.

A doença cardíaca é uma doença que evolui a “galope” e os medicamentos vão fazer com que ela passe a “engatinhar”.

A resposta ao tratamento vai depender dos sintomas no momento do diagnóstico. Pacientes sem sintomas possuem um excelente prognóstico a curto prazo e até a longo prazo.

É importante levar seu gatinho para exames de rotina periodicamente, garantindo assim que nesse coraçãozinho só tenha o amor ao seu dono, nada mais.


Alice Albuquerque
diarioveterinaria.blogspot.com
twitter @alicevet


Fotes:
CARO, A. Feline Hypertrophic Cardiomyopathy. Southern European Veterinary Conference, 2008.
SHERDING, R. G The Cat Diseases and Clinical Management, volume 1, 2ª edition, 1994.
Fontes das imagens:
http://www.pictures-of-kittens-and-cats.com/images/cat-heart-and-lungs.jpg
http://consciouscat.net/wp-content/uploads/2010/06/catheart.jpg
http://www.marvistavet.com/assets/images/xray_cat_with_CHF.jpg



5 comentarios:

Rô! - @robertarez disse...

Ainn, medo dos meus bebês terem isso. Tomara que não.

Mas tô comentando mesmo para dizer que essa primeira foto é linda demais!

Zanarde disse...

Oiii,
Detesto ver sobre doenças, fico com medo da minha ter. Sei que devo saber para caso apareça algum sintoma eu possa levar no veterinário o quanto antes...
As fotos são linda....Parabens pelo post, é muito informativa...
A minha amiga ta estudando veterinária, gosto de ver coisas relacionadas a gatos...eu adoro ver eles por dentro

Bjssss

Patchwork Tatinski disse...

Oi esta foto dos gatinhos é minha, não fui comunicada que seria usada e não recebi os créditos.
Mais cuidado com os direitos autorais!

Tatiane Noviski Fornel.

Francisco Cardoso disse...

Puxa vida,
Fiquei muito triste, um dos nossos gatos foi diagnosticado com CMH.
Sinceramente, fiquei com medo dele morrer...

nana disse...

O meu teve um infarto, foi derrepente. Tive que fazer autópsia para descobrir. Muito triste perder ele. Era persa.😪

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