18 de set de 2013

'O Rei Leão' | Gato Geek



'O Rei Leão" Musical

Cinco segundos... foi esse tempo que levou pra emoção tomar conta por completo. Apenas o tempo para Phindile Mkhize - a atriz que interpreta a versão feminina do babuíno Rafiki - entoar a plenos pulmões o grito tão famoso "Naaaaaaants ingonyama bagithi Baba" que anuncia o início do espetáculo "O Rei Leão" - o primeiro "gato" que me lembro de ter "amado".




Ao abrirem-se as cortinas, um a um, começam a surgir leopardos, antílopes, aves, girafas e até mesmo um imponente elefante e vão tomando o Teatro Renault. Os animais saem por toda a parte, todos cantando o tema "Ciclo da Vida" (uma das vinte canções que compõem o musical, todas traduzidas e adaptadas por Gilberto Gil na versão brasileira). No palco, um enorme sol começa a surgir nascendo juntamente com o filhote de leão mais conhecido do mundo: Simba, o futuro rei!


Enquanto os animais iam se juntando para celebrar a chegada do pequeno príncipe da savana africana, eu me transportava 19 anos no passado e, sem sequer forçar a memória, me recordava de quando conheci aqueles personagens na sua estreia no cinema, em 1994. 

Quem não se comoveu com a história do leãozinho que, enganado por seu ambicioso tio, Scar, acaba assumindo a culpa pela morte de seu pai e se afastando do reino que seria seu por direito. Me recordo com clareza do êxtase ao sair da sessão; fascinado... lembro dos olhos da minha irmã (com 4 anos na época) que brilhavam de um jeito mesmerizado. Era a primeira vez que ela ia ao cinema. 

Agora era eu, num teatro completamente lotado por gente de todas as idades, que me sentia como uma criança, deslumbrado com toda aquela produção.


E o que se vê no palco justifica o custo de cerca de R$50 milhões (recorde de orçamento no teatro brasileiro, superando até mesmo o valor investido em algumas produções cinematográficas nacionais) e também o fato de ser esse o musical com maior bilheteria na história da Broadway.

Ironicamente, o próprio criador do filme homônimo da Disney, Tom Shumacher,  afirmou durante a coletiva de imprensa de lançamento da peça no Brasil, que achou que adaptar o desenho para um musical era "a pior ideia que ele já tinha escutado na vida" e foi contrário quando a empresa o chamou para a realização. Apesar de hesitar no início, não suportou a pressão e hoje, após 16 anos da estreia nos Estados Unidos, ele credita o sucesso estrondoso à força da trama e na forma como ela foi adaptada para o teatro.




Realmente, tudo foi minuciosamente trabalhado e pensado para tornar crível e ao mesmo tempo belo. "Fiquei com medo de que a montagem fosse algo como os personagens da Disneylândia, vestidos com a cabeça do Mickey Mouse", dizia Julie Taymor, diretora do espetáculo e uma das principais responsáveis pela concepção das máscaras, fantasias e fantoches utilizados na versão teatral. 




E os figurinos chamam mesmo a atenção: enquanto um leopardo adentra o palco e seus gestos demonstram aquele banho tradicional dos felinos, um ator fica completamente visível, mas o que se vê não é um marionete sendo manipulado, mas uma simbiose onde o corpo do ator nada mais é do que uma extensão viva do animal que ele representa - tudo sempre muito bem conduzido por lindas coreografias.




Vestidos com motivos africanos cada personagem traz consigo a essência da savana e contextualiza a história com perfeição.

Os cenários são também fabulosos e garantem à plateia uma experiência única. Criando efeitos muitas vezes tridimensionais, os elementos surgem no palco e te inserem nas locações de forma incrível. Coisas como o movimento da Pedra dos Leões e mesmo a árvore de Rafiki criam interatividade e dinâmica, quase como uma rotação de câmera que só o cinema poderia proporcionar. Destaque para a cena do desfiladeiro (uma de minhas maiores curiosidades) que foi adaptada com inteligência ímpar e é um dos momentos mais épicos e bonitos do espetáculo.


A história é bastante fiel à original do cinema, com alguns pequenos ajustes que só fortaleceram ainda mais o enredo. E a atuação do elenco que conta com mais de 50 atores (média bastante superior aos padrões da própria Broadway) é elogiável. 

Foram necessárias 6 audições para escolher aqueles que atuariam, escolhidos pessoalmente pelos diretores da produção original. Tudo para manter o alto nível, bem como o clima e o padrão da versão americana. Competentes vocalmente, versáteis e carismáticos, cada um tem papel fundamental no desenvolvimento da peça. Há acrobatas, bailarinos e cantores sempre acompanhados pelos característicos sons e ritmos da África. 

O que garante momentos únicos como os solos de Nala e Rafiki e também o dueto de Simba e Nala na canção inesquecível de Elton John "Can You Feel The Love Tonight".




"O Rei Leão" emociona, mas também diverte. Assim como no filme, Timão e Pumba são os responsáveis pelas melhores cenas de humor com Ronaldo Reis e Marcelo Klabin nos papeis, respectivamente. A atuação de Rodrigo Candelot como o conselheiro do rei, Zazu, também merece elogios, tornando o pássaro mais interessante do que era no cinema.




É entretenimento de primeiro nível, pra família toda e tem previsão de ficar em cartaz até o final do ano (podendo ser prorrogado até o ano que vem).


SERVIÇO:
O REI LEÃO
De quarta a sexta, às 21h; 
Sábados, às 16h30 e às 21h; 
Domingos, às 15h30 e às 20h
Teatro Renault -  São Paulo
(Av. Brigadeiro Luís Antônio, 411, Bela Vista)
Preços variam de R$ 50 a R$ 280
CLASSIFICAÇÃO LIVRE

Mais informações:
www.oreileaoomusical.com.br/


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Alison
twitter: @menino_magro






1 comentarios:

Ale... disse...

Nossa que texto maravilhoso!!!
Realmente O Rei Leão é um filme espetacular e a peça realmente faz muito sucesso, para mim, tem que ser muito competente fazer uma adaptação de um filme e ter a mesma qualidade de espetáculo!!

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